Ao me deparar com a capa do Jornal “O Estado de São Paulo” pela manhã, confesso que fiquei incomodado pelo um misto de sentimentos. O título é “Direita e Esquerda disputam escolas no PR”. Na chamada fala-se de radicalização. Em primeiro lugar, chama-me a atenção que até agora, enquanto secundaristas motivados por movimentos e partidos de esquerda ocupam escolas e prédios públicos, na grande mídia ninguém falava de radicalização. Bastou entrar um movimento de direita na jogada, o Movimento Brasil Livre – MBL, agora sim, fala-se de “radicalização”,  “guerra” etc. Como sempre, a grande mídia, que olha o mundo a partir do canto da esquerda e do progressismo, julga tudo o que não está no canto deles como de direita, radical e conservador (no pior sentido da palavra). Pior, está sempre pronta a demonizar qualquer coisa que não surgiu de seu lado, como nesse caso, as ações do MBL. A coisa está tão descambada para um autoritarismo de esquerda que no texto da matéria tem uma fala do sr. Hermes Silva Leão, presidente do sindicato dos trabalhadores em Educação Pública do Paraná, que me deixou estupefato. Ele diz: “no Paraná isso está se agravando diante da tentativa de setores do governo de dar voz a grupos como o Desocupa Paraná (ligado ao MLB), que quer criminalizar o movimento dos secundaristas”. A que ponto chegamos?! O esquerdista está achando ruim que autoridades deem voz a um grupo de cidadãos em um país democrático! Ou seja, no pensamento autoritário comunista desse senhor, os secundaristas vermelhos podem invadir escolas, impedir professores e outros alunos de ter aula, impedir a entrada de pais e autoridades, mas os contrários sequer podem ter direito a voz. Isso é um flagrante autoritarismo comunista de que nosso país está sendo vítima.

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Passemos para meu segundo incômodo; esse, mais reflexivo. Acontece que um país sem justiça é um pais não só injusto, mas justiceiro. A justiça é um apelo humano. Se o Estado não garante a justiça, os cidadãos e as forças da sociedade vão buscá-la a seu modo. Saindo um pouco do tema, mas para ajudar na reflexão, é fácil entender, mas não justificar, os grupos justiceiros e a maneira ultra violenta de atuar das polícias militares em nossas cidades. Para mim, bastou uma conversa, há muitos anos atrás, com um policial em um reduto violento em Hortolândia, para perceber isso. Vi naquele policial o imenso medo por si e sua família pelo enfrentamento com grupos de bandidos. Ele sabia que enfrentar e prender alguns bandidos significava maior risco para ele. Logo estariam soltos, em mesmo estando presos, podiam  organizar ações contra sua família. Bem, se ele não podia confiar na justiça do Estado, lhe restavam duas opções: deixar o bandido solto sem importuná-lo e talvez até se corromper com ele, ou fazer justiça com as próprias mãos. No caso das invasões escolares, embora em matéria muito diferente, a essência do problema é o mesmo. Se as autoridades não podem colocar ordem, e resguardar o direito dos outros alunos e pais de entrar na escola, ou seja, zelar pela justiça, então caberá aos cidadãos fazer as justiça com as próprias mãos. Fazer justiça com as próprias mãos significa fazer guerra e guerra é uma máquina de fazer vítimas. Não condeno a ação do MBL do Paraná, ao contrário, louvo porque está fazendo a coisa de forma o mais pacífica possível (ao menos com relação ao que tomo conhecimento). Mas nessas situações está clara a incapacidade do Estado de guardar os diretos dos cidadãos de forma imparcial, zelar pela justiça e aplicar a lei. Isso, não só por fragilidade administrativa e econômica, mas pelo emaranhado ideológico que envolveu o pensar social no Brasil. Um Brasil justo não será um Brasil nem dos poderosos, mas tão pouco o Brasil das militâncias. Será, sim, o Brasil da “Ordem e do Progresso”.

André Luis Botelho de Andrade.

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