Arquidiocese de Campinas precisa de mais 70 padres

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Igreja chegou à sua centésima paróquia, mas número ainda é insuficiente para atender à demanda; estimativa é de que até o final do ano seis novos padres e quatro diáconos sejam ordenados

A Arquidiocese de Campinas tem um padre para cada 25 mil católicos. O ideal seria, segundo o arcebispo D. Airton José dos Santos, um para cada 15 mil. Há paróquias, como a Sagrada Família, onde há um sacerdote para cada 60 mil habitantes. Mas há bons ventos soprando para os lados da fé católica — até o final do ano, seis novos padres e quatro diáconos serão ordenados, reforçando o clero diocesano que tem 101 padres. Para chegar ao ideal serão necessários pelo menos mais 70 padres. Meta nada fácil de alcançar.

Arquidiocese

No seminário de Teologia estão sendo formados 40 jovens, e há entre 10 e 12 que anualmente ingressam no Seminário Propedêutico, onde cursam o primeiro ano do tempo de formação para o sacerdócio, antes de ingressar no chamado seminário maior. O trabalho da Pastoral Vocacional, disse o arcebispo, tem sido fundamental para despertar na juventude a vocação sacerdotal. “Tivemos um encontro da pastoral em Sumaré com mais de 130 jovens participando”, disse d. Airton.

O arcebispo informou que a diocese chegou à centésima paróquia — a última, Paróquia Santa Paulina, foi criada em julho, na região do Parque Xangri-la. Com isso, há possibilidade de descentralização dos serviços da igreja e chances maiores de acesso dos fiéis aos padres. Apesar do crescente número de paróquias, elas ainda são poucas para as necessidades, porque a população da diocese vem crescendo bastante. São parte da Diocese de Campinas as cidades de Hortolândia, Sumaré, Elias Fausto, Paulínia, Monte Mor, Indaiatuba, Valinhos e Vinhedo.

“Temos importante colaboração das ordens religiosas, onde 44 religiosos estão atuando em paróquias”, disse o arcebispo. Além disso, a diocese conta com a ajuda de 26 padres residentes, que pertencem a outras dioceses e estão residindo aqui temporariamente, e que auxiliam nas tarefas paroquiais.

Dificuldade

As dificuldades de ampliar o quadro sacerdotal é grande em todo o País. Há cerca de 20 mil padres atuando nas paróquias, mas para suprir a demanda dos fiéis são necessários mais 50% desse total, segundo a Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (Osib), entidade vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Além da falta, um dos grandes problemas no Brasil em relação ao clero é a má distribuição. A maior parte está concentrada nas regiões Sul (25%) e Sudeste (45%), enquanto o Norte (3%) sofre com a falta. O Brasil, que tem 5.570 cidades e 10.720 paróquias está preparando 5.568 novos padres em seminários de Filosofia e de Teologia, o que significará a disponibilidade de um seminarista para cada cidade ou um seminarista para cada duas paróquias.

Para o filósofo Arnaldo Cruz, o baixo número de jovens procurando ingressar na vida sacerdotal, tem pelo menos dois motivos. Um deles, é a própria família, que muitas vezes não apóia a vocação. Outro é que o mundo secularizado e o apelo para que o jovem doe sua vida a Deus torna-se difícil. “Diferente do que ocorria antes, hoje as famílias já não incentivam tanto os filhos a seguirem a vida religiosa. Estudar para padre deixou de ser uma forma de os mais pobres terem acesso à educação de nível. Junte-se a isso a crise de fé e temos cada vez menos pessoas dedicando a vida à igreja”, afirmou.

Dois sacerdotes atendem área com 120 mil pessoas

A Paróquia Sagrada Família, instalada entre as rodovias Anhanguera, Santos Dumont e Bandeirantes, no Jardim Santa Cruz, tem dois padres para atender uma região onde vivem 120 mil pessoas. A proporção é de um padre para cada 60 mil pessoas, mas mesmo nem todas sendo católicas, a demanda pelos serviços sacerdotais é grande. Os sacerdotes têm que estar no altar, no confessionário, na cabeceira dos doentes, na administração da paróquia que tem 14 igrejas, no aconselhamento dos paroquianos, nas missas, casamentos, batizados e, no caso do pároco José Alexandre Missio, ainda encontrar tempo para coordenar uma forania que tem sete outras paróquias com 58 comunidades.

“Com a ajuda de Deus, faço o que é possível com a estrutura existente”, afirmou o padre, que já reivindicou ao arcebispo d. Airton José dos Santos a designação de mais um sacerdote para sua região. Missio conta com a ajuda de duas psicólogas voluntárias atuando na Sagrada Família para ter um serviço especializado para os paroquianos que buscam ajuda.

Mas as tarefas do padre não param ai, porque além das obrigações inerentes ao cargo que ocupa na hierarquia da Igreja, Missio coordena três cursos na forania que dirige — formação para leigos, formação para ministro da palavra e noções de jornalismo para que as paróquias tenham orientações sobre como fazer um jornal, um site e melhorar a comunicação. Além disso, ele faz a supervisão de novos seminaristas que se dedicam ao atendimento de enfermos no Hospital Celso Pierro. “Há sobrecarga de trabalho, gostaria de estar mais presente na minha comunidade, mas mesmo assim, ainda consigo desenvolver meu trabalho”, disse.

Via RAC

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