Croácia: O Papa, em seu segundo dia de visita, insistiu sobre a dimensão missionária da família

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Neste domingo, segundo dia de visita à Croácia , e I Jornada Nacional das Famílias católicas croatas Bento XVI presidiu a uma missa no hipódromo de Zagreb, diante de dezenas de milhares de pessoas, a quem pediu que combatam a “secularização” da Europa.
Na homilia o Papa insistiu sobre a dimensão missionária da família, na educação dos filhos e em geral na participação ativa na missão da Igreja e na vida da sociedade.

Bento XVI começou por comentar os textos da Missa, do domingo depois da Ascensão (que na Croácia foi celebrada já quinta-feira). A primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, mostra a comunidade apostólica implorando a descida do Espírito Santo, segundo a promessa de Jesus. O Senhor ordenara aos discípulos que «não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a Promessa do Pai», isto é, pedira que permanecessem juntos preparando-se para receber o dom do Espírito Santo. “Permanecer juntos – sublinhou o Papa – foi a condição posta por Jesus para acolherem a vinda do Paráclito. A oração prolongada foi o pressuposto da sua concórdia”. Uma “estupenda lição para cada comunidade cristã”.

“Por vezes pensa-se que a eficácia missionária dependa principalmente de uma cuidadosa programação e da sua realização inteligente através de um compromisso concreto. O Senhor pede certamente a nossa colaboração, mas, antes de qualquer resposta da nossa parte, é necessária a sua iniciativa: o verdadeiro protagonista é o seu Espírito, que há que invocar e acolher”.

Centrando especialmente a atenção na assembleia, constituída sobretudo por famílias, o Papa recordou que “a família cristã é um sinal especial da presença e do amor de Cristo”, “chamada a dar uma contribuição específica e insubstituível na evangelização”. Na verdade, “a família cristã foi sempre a primeira via de transmissão da fé” – insistiu Bento XVI, que se dirigiu em croata aos pais e mães, pedindo-lhes que se empenhem em ensinar os filhos a rezar, e em rezar com eles (palavras em croata!).

É verdade que “hoje em dia, graças a Deus, muitas famílias cristãs vão adquirindo cada vez maior consciência da sua vocação missionária… dando testemunho de Cristo Senhor”. Como dizia João Paulo, «uma família autêntica, fundada no matrimónio, é em si mesma uma “boa notícia” para o mundo».

“Na sociedade actual, é muito necessária e urgente a presença de famílias cristãs exemplares. Infelizmente temos de constatar, sobretudo na Europa, o aumento de uma secularização que leva a deixar Deus à margem da vida e a uma crescente desagregação da família.”

Especificando mais o seu pensamento, Bento XVI fez notar que “se absolutiza uma liberdade sem compromisso com a verdade, cultivando-se como ideal o bem-estar individual através do consumo de bens materiais e de experiências efémeras, descuidando a qualidade das relações com as pessoas e os valores humanos mais profundos”. Por outro lado – observou ainda “reduz-se o amor a mera emoção sentimental e à satisfação de impulsos instintivos, sem um empenho em construir laços duradouros de mútua pertença e sem abertura à vida”.

“Somos chamados a contrastar esta mentalidade. A par da palavra da Igreja, é muito importante o testemunho e o compromisso das famílias cristãs, o seu testemunho concreto, sobretudo para afirmar a intangibilidade da vida humana desde a concepção até ao seu fim natural, o valor único e insubstituível da família fundada no matrimónio e a necessidade de disposições legislativas que sustentem as famílias na sua tarefa de gerar e educar os filhos”.

“Queridas famílias, alegrai-vos com a paternidade e a maternidade! A abertura à vida é sinal de abertura ao futuro, de confiança no futuro, tal como o respeito da moral natural, antes que mortificar a pessoa, liberta-a. O bem da família é igualmente o bem da Igreja.”

No final da celebração, passado já o meio-dia, Bento XVI dirigiu de novo a palavra aos fiéis, introduzindo a costumada oração mariana. Retomando o encorajamento às famílias a viverem e transmitirem a fé cristã. E confiou a Maria, “Mãe de Cristo e nossa Mãe” todas as famílias: pais, filhos, avós; o caminho dos esposos, o seu empenho educativo, o trabalho profissional e doméstico. O Papa invocou também a intercessão de Nossa Senhora “para que as instituições públicas apoiem a família, célula do organismo social”.
Recomendado também a Maria o Encontro Mundial das Famílias de 2012, em Milão:

“Queridos irmãos e irmãs, precisamente daqui a um ano, celebraremos o VII Encontro Mundial das Famílias, em Milão. Confiamos a Maria a preparação desse importante acontecimento eclesial”.

E o Papa concluiu saudando brevemente, em diversas línguas dos Balcãs, os fiéis provenientes dos países limítrofes: Eslovénia, Sérvia, Macedónia, Hungria e Albânia.

Rádio Vaticano

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