Dom Guido Marini: A santidade é a única resposta adequada ao grande amor de Deus

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A Igreja Católica está para viver nesta semana os momentos mais importantes e mais solenes do inteiro ano litúrgico. Também momentos especiais de um grande testemunho ao mundo secularizado, graças às belas e solenes cerimônias no Vaticano que serão transmitidas a centenas de países. Para entender qual é o papel da liturgia para despertar o espírito da fé, Dom Guido Marini, Mestre de Cerimônias Litúrgicas Pontifícias, conversou em Roma com nossa correspondente no Vaticano, Anna Artymiak.

Gaudium Press: Entramos na Semana Santa, e o Papa na audiência geral de quarta-feira passada começou um novo ciclo de catequese dedicado à vida dos santos. Qual é a mensagem a ser lembrada aos crentes e também aos não crentes nessa nossa época secularizada?

Dom Guido Marini – É uma mensagem central da grande abordagem do amor de Deus, que no Senhor Jesus salva toda a humanidade. E portanto, creio que a Semana Santa seja para toda a cristandade, para a Igreja, uma verdadeira viagem para redescobrir mais uma vez o amor misterioso infinito de Deus. Parece-me que há uma ligação muito estreito deste coração do anúncio pascal e de como o Santo Padre começou a tratar as suas catequeses de quarta-feira, porque a santidade é a única resposta adequada a este grande amor com o qual o Senhor salvou cada um de nós. Certo, há antes o dom de seu amor, mas depois há esta nossa resposta que não pode ser senão um amor que se traduz em santidade da vida.

GP – Qual é a contribuição que a liturgia pode dar à nova evangelização?

Dom Guido Marini – Primeiramente, creio que a liturgia se coloque ao centro também da nova evangelização porque não se dá a evangelização sem a liturgia, sem os sacramentos, além obviamente do anúncio da Palavra de Deus, da catequese, da caridade. Portanto, creio que a celebração litúrgica vivida como momento central, fundamental enquanto encontro com o mistério da salvação, é uma dimensão importante do grande empenho ao qual somos chamados à nova evangelização. Certamente se trata de viver a liturgia por aquilo que ela é, isto é, pelo fato que é mistério de Deus celebrado. E justamente por isto deveria ser uma liturgia bem vivida. E eu creio que o caminho mais simples seja seguir as indicações que a Igreja nos dá, que o Santo Padre nos dá em seu magistério, mas também no exemplo na celebração. Se isto se realiza em modo cordial, as nossas liturgias poderão ser bem celebradas, e portanto de grande sustento – especialmente sustento fundamental para a nova evangelização.

GP – Fala-se bastante tanto nos jornais sobre a necessidade da reforma da reforma litúrgica convocada depois do Concílio Vaticano II. Como o senhor vê a situação?

Dom Guido Marini – Esta terminologia deve ser obviamente bem compreendida. Eu seria da ideia de evitar tais polêmicas, falar de uma reforma que deve ser vivida e levada adiante segundo as indicações precisas que o Concílio Vaticano II nos deu em harmonia e continuidade com toda a tradição precedente e tendo bem presente também as indicações do magistério dos recentes pontífices, João Paulo II e Bento XVI. Se isto for feito, creio que a reforma possa trazer todos os seus frutos, todos aqueles frutos que o Concílio queria. Mas como todas as coisas, depois precisam ser realizados sempre melhor e em modo mais aprofundado. Creio, portanto, que a exigência de hoje seja esta, fazer de modo que o caminho da reforma litúrgica seja um caminho fiel ao Concílio Vaticano II, em harmonia com toda a tradição litúrgica da Igreja e em sintonia com as atuais indicações que vêm da Igreja e do magistério do Santo Padre.

Anna Artymiak
Gaudium Press

2 COMENTÁRIOS

  1. Na Europa não se costuma chamar os bispos com o título de “Dom”, mas de “Monsenhor.” A despeito disso, você tem razão, Douglas. Monsenhor Guido Marini é Mestre de Cerimônias Litúrgicas Pontifícias, mas é sacerdote. Não é bispo; assim, não cabe que nós aqui o chamemos de “Dom”. Essa entrevista foi extraída da Gaudium Press, conforme nosso site creditou a matéria ao final. Acreditamos que houve esse equívoco por parte da Gaudium Press talvez porque o Mestre de Cerimônias de João Paulo II tinha o mesmo sobrenome; era Dom Piero Marini, mas este era bispo mesmo. Atribuímos a isso essa pequena confusão. Obrigada por sua observação.

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