O papa aos jovens: “Deixem-se tocar pelo olhar misericordioso de Deus”

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Na mensagem de preparação para a Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia (26 a 31 de julho de 2016), o Santo Padre convida os jovens a escolherem uma obra de misericórdia corporal e uma espiritual para praticá-la todo mês.

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles obterão misericórdia”, sugeriu o Santo Padre aos jovens como reflexão preparatória para a próxima Jornada Mundial da Juventude, em mensagem publicada nesta segunda-feira. Ele recorda que “iniciamos este percurso em 2014, meditando juntos sobre a primeira bem-aventurança: ‘Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus’. Para o ano de 2015, o tema foi ‘Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus’. E no ano que temos por diante, queremos nos deixar inspirar pelas palavras ‘Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia’”.

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O Jubileu da Misericórdia

A JMJ Cracóvia 2016 se insere no Ano Santo da Misericórdia e se torna um verdadeiro “Jubileu mundial dos Jovens”. Como recorda Francisco, não é a primeira vez que um encontro internacional dos jovens coincide com um Ano jubilar: no Ano Santo da Redenção (1983/1984), São João Paulo II convocou pela primeira vez os jovens de todo o mundo para o Domingo de Ramos; e durante o Grande Jubileu do Ano 2000, mais de dois milhões de jovens de 165 países se reuniram em Roma para a XV Jornada Mundial da Juventude. Como nos dois casos precedentes, “estou certo de que o Jubileu dos Jovens em Cracóvia será um dos momentos fortes deste Ano Santo”, diz o Santo Padre.

“Quando a Igreja convoca um jubileu em nome de Cristo, somos todos convidados a viver um extraordinário tempo de graça”. A própria Igreja é chamada a oferecer abundantemente sinais da presença e da proximidade de Deus, a despertar nos corações a capacidade de focar no essencial.

Misericordiosos como o Pai

Fazendo referência ao lema deste ano, o papa explica o significado da misericórdia divina: o conceito bíblico de misericórdia inclui o amor fiel, gratuito e que sabe perdoar. “Na misericórdia está sempre incluído o perdão”.

O Santo Padre enfatiza que “a misericórdia de nosso Senhor se manifesta acima de tudo quando Ele se inclina à miséria humana e demonstra a sua compaixão por quem precisa de compreensão, cura e perdão. Tudo em Jesus fala de misericórdia; mais ainda, Ele mesmo é a Misericórdia”.

“A misericórdia de Deus é muito concreta e todos somos chamados a experimentá-la em primeira pessoa”. Nós buscamos a Deus, “mas é Ele que sempre se adianta, que, desde sempre, nos procura e é o primeiro que nos encontra”. Francisco pergunta aos jovens: “Você já sentiu alguma vez esse olhar de amor infinito que, indo além de todos os teus pecados, limites e fracassos, continua firme em você e olhando para a sua existência com esperança?”.

Em referência à Cruz da JMJ, o papa destaca que “a cruz é o sinal mais eloquente da misericórdia de Deus”. Nela podemos tocar a misericórdia de Deus e nos deixar tocar ela.

A extraordinária alegria de ser instrumentos da misericórdia de Deus

O papa observa que só “seremos realmente bem-aventurados, felizes, quando entrarmos na lógica divina do dom, do amor gratuito, se descobrirmos que Deus nos amou infinitamente para nos tornar capazes de amar como Ele: sem medida”.

Ao falar do beato Pier Giorgio Frassati, Francisco diz que ele entendeu o que é ter um coração misericordioso, sensível aos mais necessitados. “Ele dava a eles muito mais do que coisas materiais; ele entregava a si mesmo, seu tempo, suas palavras, sua capacidade de escutar”.

O papa convida os jovens “a descobrirem de novo as obras de misericórdia corporais: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher o estrangeiro, assistir os enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos”. Sem esquecer, é claro, das “obras de misericórdia espirituais: aconselhar os que duvidam, ensinar os ignorantes, advertir os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar pacientemente as pessoas incômodas, rezar a Deus pelos vivos e pelos mortos”.

Francisco propõe concretamente para os primeiros sete meses de 2016 que os jovens “escolham uma obra de misericórdia corporal e uma espiritual para praticar em cada mês”.

Uma das obras de misericórdia mais evidentes e talvez mais difíceis de praticar é a de perdoar. Porém, reforça o papa, “o perdão é o instrumento colocado em nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração”.

Cracóvia nos espera!

Francisco lembra que São João Paulo II já tinha intuído que este era o tempo da misericórdia. No início do seu pontificado, ele escreveu a encíclica Dives in Misericordia. E, no Ano Santo de 2000, canonizou a irmã Faustina e instituiu a Festa da Divina Misericórdia no segundo domingo de Páscoa. Além disto, em 2002, consagrou pessoalmente, em Cracóvia, o Santuário de Jesus Misericordioso, confiando o mundo à Divina Misericórdia e esperando que esta mensagem chegasse a todos os habitantes da terra, enchendo os corações de esperança.

Francisco pede aos jovens para não terem medo de contemplar os olhos de Deus, “cheios de amor infinito por vocês”, e para se deixarem tocar pelo seu olhar misericordioso, disposto a perdoar cada um dos seus pecados; um olhar capaz de mudar a vida de vocês e de sanar as suas almas; um olhar que sacia a profunda sede dos seus corações jovens”.

Por fim, o papa Francisco os convida a levar a chama do amor misericordioso de Cristo “aos ambientes da sua vida cotidiana e até os confins da terra”.

Via Zenit

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