Mons. Ignazio vê com perplexidade escolha do nobel de medicina

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O presidente da Pontifícia Academia para a Vida, Monsenhor Ignazio Carrasco de Paula, recebeu com “perplexidade” a escolha do professor Robert Edwards – considerado o “pai” da fecundação “in vitro”-, para o Prêmio Nobel de Medicina, anunciado nesta segunda-feira, 4.

“A concessão do Nobel de Medicina ao prof. Edwards suscitou muitos consensos e não poucas perplexidades, como era de se prever. Pessoalmente eu teria eleito outros candidatos, como McCullock e Till, descobridores das células-tronco, ou então Yamanaka, o primeiro a criar uma célula ‘pluripotente induzida'”, afirma Mons. Carrasco.

As células-tronco pluripotentes induzidas, também conhecidas como células iPS ou iPSCs pela sua origem do inglês induced pluripotent stem cells, são um tipo de célula-tronco pluripontente artificialmente derivada de uma célula-tronco não-pluripotente, tipicamente de uma célula somática adulta, pela indução de uma manifestação “forçada” de certos genes.

“Todavia, a escolha do prof. Edwards não me parece completamente inoportuna”, afirmou. “Por um lado, faz parte da lógica que orienta o Comitê que atribui o Nobel e, por outro lado, o cientista britânico não é um personagem que possa ser menosprezado. Ele inaugurou um capítulo novo e importante no campo da reprodução humana, cujos resultados positivos estão à vista de todos, a começar por Louise Brown, a primeira menina nascida por meio do sistema “Fivet”. Louise já está com 30 anos e já é, por sua vez, mãe de um menino, nascido de maneira absolutamente natural”, disse o presidente da Pontifícia Academia para a Vida.

Quanto às perplexidades? Mons. Carrasco afirma que são muitas. “Sem Edwards não haveria um mercado de ovócitos; sem Edwards não haveria congeladores repletos de embriões à espera de serem transferidos para um útero ou, mais provavelmente, de serem usados na pesquisa ou de morrerem abandonados e esquecidos por todos”.

“Eu diria que Edwards inaugurou uma casa, mas abriu a porta errada, por ter baseado tudo na fecundação “in vitro” e ter permitido, implicitamente, o recurso às doações e compra-vendas que envolvem seres humanos. Assim, ele não modificou minimamente nem o quadro patológico nem o quadro epidemiológico da infertilidade. A solução para esse grave problema chegará por meio de outra estrada menos custosa e já em estágio avançado de construção. É preciso ter paciência e confiança em nossos pesquisadores e em nossos médicos clínicos”, conclui o presidente da Pontifícia Academia para a Vida.

Radio Vaticano

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