O futebol pelo futebol, no mais alto palco. Estamos em Copa!

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Quando penso em Copa do Mundo logo entro em um momento nostálgico, em especial das competições realizadas nos anos de 1990, 1994, 2002 e 2014, pois trouxeram pontos de reflexão sobre o caminho que tomamos em nossas vidas em busca de uma “taça” e como reagimos diante do resultado, ora alcançado ora distante. Nesta dinâmica, convido você a fazer uma viagem “de volta para o passado”.

Quem não faz, TOMA!

A primeira Copa do Mundo que acompanhei com alguma consciência do significado da competição, e também, como praticante de futebol, foi no ano de 1990. Sinceramente, o que ficou na minha lembrança foi o gol do Caniggia depois de uma bela arrancada de Maradona, seguida de uma assistência, e, por fim, eliminando o Brasil, porque “Quem não faz, toma!”. Isso é uma grande lição quanto a agarrar as oportunidades que Deus nos presenteia com a razão e vontade.

Certa vez um técnico que conduzia uma equipe de futsal onde eu jogava, disse-me: “Na hora de bater para o gol, com ou sem goleiro chute com vontade!” Coloco hoje essa situação para a busca de uma vida consagrada; por menor que seja o tempo para adorar, orar, buscar os sacramentos, meu irmão, é hora de enfiar a “bicuda” na “pelota” com vontade, sem deixar espaço para um contra-ataque das nossas concupiscências.

O futebol pelo futebol, no mais alto palco. Estamos em Copa!

A Copa do time desacreditado

Em 1994, não imaginava que a seleção brasileira conquistasse o tão sonhado tetracampeonato, pois além da desconfiança frente ao que ocorrera na copa passada, muitas contusões levaram a construção de um time, o qual diziam os especialistas, a não ser o melhor. Diante das dificuldades, o time entendeu que jogariam na raça e na dependência do “baixinho”. Nada melhor que viver uma vida comunitária de inteira doação, na dependência total do Cristo Pantokrator. Sim, que sejamos desacreditados pelo mundo, para que Ele faça em nós. Arrisco fazer uma alegoria de uma conversa no meio de campo com Ele me dizendo: Toca para o Pai, meu filho!”

“Que a nossa vontade seja a Tua, Cristo, e que sejamos totalmente dependentes de Ti, como canta o salmista (Salmo 120):

Ergo os olhos para os montes:
de onde virá o meu socorro?
O meu socorro vem de Javé,
que fez o céu e a terra.
Ele não deixará que o seu pé tropece,
o seu guarda jamais dormirá!
Sim, não dorme nem cochila
o guarda de Israel,
Javé guarda você sob a sua sombra,
ele está a sua direita.
De dia o sol não ferirá você,
nem a lua de noite.
Javé guarda você de todo mal,
ele guarda a sua vida.
Javé guarda suas entradas e saídas,
desde agora e para sempre.

Jogamos com autoridade e certos da vitória!

A Copa do Mundo de 2002, pelo que acompanhei, a seleção jogou muito, como podemos dizer: Matou no peito a “pelota”, levantou a cabeça e chamou para dançar! Time conciso, bem estruturado taticamente, todos sabiam o que cada um deveria fazer. Dava gosto de ver jogar, apesar do cabelo do Ronaldo Fenômeno naquela final. Em uma analogia para o caminho de consagração vejo: Fez o sinal da Cruz, prostrou-se de alma e coração e chamou Deus para tomar o centro de sua vida. Isso é viver a capacidade que o ser humano possui de encontrar o infinito e eterno na partícula. E qual momento melhor para essa certeza da vitória do que a Eucaristia, o Santíssimo e Digníssimo Sacramento.

A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja. É com alegria que ela experimenta, de diversas maneiras, a realização incessante desta promessa: « Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo » (Mt 28, 20). Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, São João Paulo II.

A Redenção

Da última Copa do Mundo, 2014, ficou a lembrança de como podemos nos desapegar de nossas diferenças e limitações para nos unir no canto do hino nacional da pátria. Por alguns minutos eleva-se a fraternidade em sermos irmãos. Tudo bem que ser irmão depois do inesquecível 7 x 1 requer muita oferta, pois deixou muitas chagas, mas o que é a redenção senão o perdão de tudo o que passou, entregar todo o passado nas mãos de Cristo. É preciso dar um passo de fé, crer na misericórdia de Deus conosco, buscar a confissão.

Certamente o Brasil do 7 x 1 sabe dos erros que cometeu, reconhece a responsabilidade do grupo, perdoa e, hoje, utiliza como um degrau para buscar algo mais alto, é assim que podemos buscar a santidade:

(…) não sou uma águia, só tenho dela os olhos e o coração (…) Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face – História de Uma Alma.

Que façamos, com vontade, olhos firmes e coração contrito, uma boa Copa do Mundo, sabendo que mesmo perdendo, Cristo vence por nós e guarda nossa Santidade pela graça e para a glória de Deus.

Thiago Casarini 
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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