PARIS, 20 Abr. 11 / 09:50 am (ACI)

Um grupo de cristãos destruiu uma obra blasfema do polêmico autor americano Andrés Serrano exposta em Avignon (França), que consiste em uma fotografia em que se aprecia um recipiente cheio de sua própria urina com um crucifixo dentro.

O controvertido artista, autor também da amostra “Shit” (Excremento) de 2008, que ficou famosa pela utilização de cadáveres, excrementos, sêmen e sangue em seus trabalhos.

A polêmica peça de 1987 titulada “Piss Christ” (Cristo da Urina) foi golpeada no sábado por três cristãos que levavam chaves de fenda. Depois destes fatos os encarregados da exposição afirmaram que já não é possível repará-la.

Esse mesmo sábado 500 pessoas exigiram aos diretores do museu privado de arte contemporânea de Avignon a retirada da fotografia da exposição, que já foi vetada nos Estados Unidos e na Austrália por ofender a sensibilidade dos cristãos.

O Ministro da Cultura da França, Frederic Mitterrand, cujo ministério é um dos patrocinadores financeiros da exposição “Eu acredito nos milagres” propriedade de La Collection Lambert, assinalou que o incidente “é um ataque à liberdade de criação” mas admitiu que a obra de arte (Piss Christ) poderia ser chocante para certo tipo de público”.

Na semana passada, o Arcebispo de Vaucluse (França), Dom Jean-Pierre Cattenoz, solicitou à galeria que retire “esse lixo” da exposição.

Depois dos fatos, o autor do Piss Christ, Andrés Serrano, um nova-iorquino de raízes hondurenhas, assinalou ao jornal francês Liberação que “sou cristão. É mais, sou um artista cristão” e comentou que gostaria “trabalhar no Vaticano, realizar uma grande obra religiosa em Roma, nas igrejas da cidade do Pontífice”.

Logo depois de comentar que não tem “nenhuma simpatia pela blasfêmia”, Serrano disse também que “apelando ao sangue, à urina ou às lágrimas, provoco reações. Também é um modo de recordar a todo mundo o horror que passou Cristo”.

Logo depois do ocorrido no sábado, o museu decidiu reabrir esta terça-feira 19 de abril a exibição com “segurança reforçada” para evitar fatos similares.

Consultada pelo grupo ACI, a perita historiadora da arte Liz Lev da Universidade Duquesne de Roma comentou sobre o fato que “embora a violenta destruição não seja a resposta para nada, quando uma obra de arte é uma provocação que ofende a fé de alguém –seja muçulmano, judeu ou cristão– então, até certo ponto, converte-se em um ato de consciência por parte dos fiéis quem assim procuram evitar ver seu Deus denegrido desta forma”.

“Ou seja, um recipiente com a urina do artista com Cristo dentro? Que se espera que aconteça diante disso? Qual é a razão dessa peça se não a provocação? Que mais queria criar o artista se não essa reação? De alguma forma, isso é provavelmente o que ele sempre quis”, considerou Lev.

Há duas semanas, a organização francesa Institut Civitas exige a retirada da controvertida peça Piss Christ, “assim como proibi-la completamente de qualquer exibição pública na França, em razão de seu caráter provocador e discriminador contra os cristãos”.

Também solicitam “destruir todos os meios impressos que utilizam esta foto como pôsteres, painéis públicos, Panfletos, etc.”.

Deste modo pedem “deter todo financiamento público e privado desta exposição (que recebeu quase um milhão de euros para um novo período de dez anos nos que uma boa parte provêm de impostos)”.

A solicitude da Civitas recebeu até o momento a adesão de mais de 84 000 pessoas. Para assinar o pedido (em francês) pode ingressar em: https://www.defendonslecrucifix.org/

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