Os gestos proféticos do Papa Paulo VI

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Existe um livro que ajuda a esclarecer alguns gestos significativos do pontificado de Paulo VI, que também hoje fala à Igreja e ao mundo daquela atenção deste pontífice por uma profunda renovação da Igreja, na simplicidade e radicalidade evangélica. Tem como titulo “Os gestos de Paulo VI”, escrito por Dom Ettore Malnati, vigário episcopal para o Laicato e a Cultura da diocese de Trieste.

pauloviA figura e obras do Papa Montini, observa Dom Malnati, “destacam-se de modo singular pela delicadeza de espírito, pela sua busca de solução a favor de uma economia sólida, por uma sensibilização em todos os níveis, pelo desarmamento e pela paz, também pelo estilo de diálogo instaurado na Igreja, entre a Igreja Católica e os outros cristãos e as outras religiões, e entre a Igreja e o mundo”.

Muitos gestos de Paulo VI foram os primeiros, a partir do fato de que foi o primeiro papa a ser peregrino na Terra de Jesus e entre os pobres do mundo em seus países. “Foi o Papa dos gestos singulares, com a renúncia à tiara papal para sensibilizar a Igreja e o mundo sobre os países pobres: com a retratação das excomunhões e o caminho ecumênico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, sobretudo graças à disponibilidade do patriarca Atenágoras, e com a Igreja anglicana, graças ao arcebispo Ramsey”. Foi o primeiro papa a falar nas Nações Unidas a favor da paz e do desarmamento.

O motivo da visita de Paulo VI à Terra Santa era “dar um forte sinal a toda Igreja Católica e aos Padres conciliares, de modo que a Igreja toda refletisse sobre a origem da fé cristã e partisse novamente de Cristo”, escreveu Dom Malnati. O papa partiu no dia 4 de janeiro de 1964, para a terra natal de Jesus, onde recebeu um acolhimento caloroso: as pessoas queriam “de qualquer jeito estar perto do Papa, tocá-lo, ter uma bênção ou um sorriso”. A primeira viagem do Papa fora da Itália foi “uma verdadeira peregrinação com um banho de multidão”.

No dia de sua chegada à Terra Santa, Paulo VI encontrou o patriarca ecumênico Atenágoras, e o histórico abraço entre os dois marcou o início de uma verdadeira e recíproca aproximação entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Constantinopla. No dia 7 de dezembro de 1965, “jornada memorável”, na vigília de conclusão do Concílio Vaticano II, foi abolida a excomunhão recíproca entre as duas Igrejas, de 1054. Homem de uma extraordinária sensibilidade humana e cristã, Paulo VI queria também que fosse restituída a relíquia da cabeça de Santo André apóstolo ao mundo ortodoxo.

Grande também foi a devoção de Paulo VI à Virgem Maria. Proclamou-a, no Concílio, Mãe da Igreja e a quis homenagear – primeiro papa a fazê-lo – em Fátima e em Éfeso.

Também o cardeal Dionigi Tettamanzi ressalta um outro gesto significativo de Paulo VI: “o alcance singular que gera e continuará na missão evangelizadora da Igreja”: a Encíclica Humanae vitae, texto “vibrante de uma autêntica profecia evangélica”.

“Quem conhece a Encíclica Humanae vitae, seja no seu conteúdo doutrinal, seja no contexto histórico das polêmicas e da recusa que encontrou imediatamente, é levado a reconhecer em Paulo VI o rosto do profeta, aquele homem verdadeiramente ‘corajoso e forte’, escreve o cardeal.

No contexto cultural imperante, para anunciar ao mundo de hoje a doutrina moral da Humanae vitae servem, de fato, “uma coragem e uma audácia verdadeiramente profética”, “e não somente da parte da hierarquia que ensina, mas também da parte dos fiéis leigos, em especial dos esposos cristãos”.

Fonte: Aleteia

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