A vocação da maternidade que Deus nos confia como leigos se realiza no dia a dia de nossa vida. Somos chamados por Ele no lugar onde estamos, exercendo o nosso próprio ofício, no cotidiano, inspirados pelos valores evangélicos, trabalhando para que tudo concorra para santificação do mundo a partir de dentro de nós mesmos, como fermento, sal e luz; e, deste modo, manifestarmos Cristo aos outros, antes mais pelo testemunho da própria vida, pela irradiação da fé, esperança e caridade.

A vocação e a missão são pessoais e definem a dignidade, a responsabilidade de respostas sinceras ao nosso chamado e a firme decisão de realizar os planos de Deus na nossa vida e na vida de outros que Deus nos confiar. Para muitos leigos, como é o meu caso, a realização do plano de Deus se dá no contexto familiar. Nas bênçãos e exigências ordinárias da maternidade, do matrimônio e em tudo que diz respeito a este ambiente e às pessoas que vivem nele comigo.

Mulher do lar, esposa e mãe

Ser mãe de cinco filhos é algo exigente. Ter uma família numerosa em um mundo tão marcado pelo individualismo e pela busca de sucesso a todo custo é muito desafiador.

Há, em geral, uma rejeição cada vez mais crescente de se aceitar uma família numerosa. Chovem críticas e discriminação, e escutam-se com frequência aquelas famosas palavrinhas inconvenientes: “E aí, fechou a fábrica, né?”.

Até mesmo o serviço doméstico da mulher não é vistos com bons olhos.  Assim, a ideia da mulher como mãe, educadora e pessoa dedicada aos assuntos domésticos tem ficado cada vez mais obsoleta e até preconceituosa.

Dedicar-se ao lar, uma escolha

Fiz minha escolha, preferi ser dona de casa, dedicar todo o meu tempo para cuidar da minha família e educar os meus filhos. Não desisti dos meus sonhos. Eles são muitos e ainda quero lutar por eles. Apenas, priorizei as coisas e estou cuidando de algo mais importante no momento.

Esta não é uma decisão a ser tomada sozinha. O casal precisa estar junto nesta escolha, pois virão os desafios, as dificuldades financeiras, as preocupações, os desesperos, as agitações, que exigirão equilíbrio e maturidade para se enfrentar tudo isso da melhor maneira. O casal tem que estar unido neste propósito.

A renúncia que meu esposo e eu fizemos é para que eu possa ser mãe, pensando no que seria melhor para os nossos filhos.

Sou mais feliz assim, com minhas lutas, com a correria do dia a dia, com a fadiga para tentar deixar a casa um pouco arrumada, cuidando das roupas, preparando refeições, lavando pratos, conciliando tudo, para conseguir um tempo para ajudar as crianças com os estudos, lições e trabalhos escolares e, ao final do dia, levar os pequenos ao final do dia para brincar na pracinha.

Tudo isso exige superação, com coragem para me levantar a cada dia e recomeçar, estado sempre disponível para participar da vida dos meus filhos.

Maternidade e sacrifício

Ser mãe de verdade é aprender todo dia como estar presente e educar com valores do Reino, que são eternos, “educando para o Céu”; é cuidar do profundo do coração deles, zelar pela alma, sendo ponto de referência de carinho, serenidade, compreensão, paz, amor – aquele porto seguro. É algo impagável e uma alegria estar com os filhos. Vê-los crescer é um privilégio.

Não sou uma super mãe, cometo erros, tenho minhas frustrações, derramo minhas lágrimas. Então, quando as coisas ficam muito difíceis e complicadas, eu rezo, do jeito que dá, pois a oração pode mudar todas as coisas, como o próprio Anjo Gabriel disse à Maria: “Para Deus nada é impossível” (Lc 1,37).

Quem tem Deus não desanima!

Comece, ouse, acredite, lute, tenha fé. Vai dar certo!

Eu escolho acreditar que em todas as coisas que acontecem, Deus tem para nós uma força que nos permitirá vencer. Onde há oração, há também vitória.

Mas, antes é preciso acreditar nisso. As dificuldades e os sofrimentos nos desinstalam e, então, confiando em Deus, faremos coisas que nem imaginávamos e, assim, podemos crescer.

O verdadeiro amor exige um coração acessível e disposição de ir ao extremo de dar a vida por quem amamos. Doação livre, por amor, sem dramas.

É uma realização poder cuidar da família, porque a família é algo precioso aos olhos de Deus. Por isso, em nosso lar, devemos educar os filhos na doutrina do Senhor.

Dom Bosco ensinava que não é possível educar sem religião. É no colo do pai e da mãe e vendo seus pais se ajoelharem, que o filho se torna religioso.

“Uma família cristã, unida ao Senhor pela oração e pela vida sacramental, é um fecundo viveiro de vocação”. (São João Paulo II)

Lucimara Vieira
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

Fontes: A vida consagrada – João Paulo II
O matrimônio cristão – Pe. Matheus Pigozzo
Famílias restauradas – Pe. Léo
Sorrindo pra vida – Márcio Mendes

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