A verdadeira Páscoa: Cristo Ressuscitou, Aleluia!

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Ressuscitou

Nós ansiamos por receber uma boa notícia como um aumento salarial, passar no vestibular, uma cura, o “sim” para um namoro etc., mas a mais bela e estupenda notícia é esta: Cristo ressuscitou e ressuscitou verdadeiramente. Não pode existir boa notícia maior e melhor do que essa.

A Páscoa é a mais importante festa cristã. Nela celebramos que Cristo Ressuscitou, uma verdade de fé imutável para sempre, queira crer ou não.

A Páscoa é a passagem de Cristo pela humanidade, não mais como na Antiga Aliança, na primeira Páscoa, em que Deus passa no meio da humanidade. Agora, Cristo passa pela essência da humanidade ao Se encarnar, tornar-Se um como nós de carne e osso, alma e espírito. E passando pela nossa humanidade Ele tomou sobre si nosso pecado, nossa dor, nossa agonia, toda escravidão e as encravou na Cruz. Mas tudo isso não teria sentido se a Cruz fosse o fim último, mas muito pelo contrário; ela é o caminho porque Cristo Ressuscitou e abriu-nos novamente o caminho de volta à Pátria eterna, nossa verdadeira casa, onde não haverá mais morte, choro nem ranger de dentes. O Cristo ressurreto rasga a morte da mesma maneira que o povo da Antiga Aliança rasga o Mar Vermelho para entrar na terra prometida.

Vivemos em tempos de incredulidade, em que o homem/mulher da pós-modernidade prefere crer em seus projetos que são tão efêmeros e pequenos, em seu endeusamento próprio, as pessoas preferem se auto proclamar “deuses” a seguir o verdadeiro Deus. E mesmo conseguindo grandes realizações, tudo tem seu limite e isso tem impactado demais os “deuses” modernos, principalmente no que diz respeito aos limites do tempo e do espaço. Por mais que possa empreender, está sempre limitado por isso. Teorias são criadas, tentativas de ter uma solução, mas sempre esbarram nos limites próprios da vã existência por si mesma.

Jesus rasga os limites 

Somente Jesus Homem que Ressuscitou é capaz de rasgar esses limites, pois n’Ele não existem mais limites, muito pelo contrário, Ele nos abriu a oportunidade de romper esses limites de tempo e espaço através da transcendência. Não existe fórmula científica capaz de se igualar a essa verdade.

São João Evangelista é o grande exemplo disso. João foi aquele que unindo-se ao mistério da Vitória de Cristo, transcende ao ponto de romper os limites do tempo e do espaço. João é aquele que mergulha de tal maneira neste mistério que foi capaz de chegar onde ninguém jamais almejou, no seio da Santíssima Trindade antes da Criação expresso no prólogo do Evangelho escrito por ele: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus” (Jo 1,1-2). Ainda perpassa pela obra da Criação: “Tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi feito. Nele havia vida, e a vida era a luz dos homens” (Jo 1,3). São João entendeu de tal maneira a beleza da Criação que em seu Evangelho reescreve Gn 1-3 a partir da ótica da Redenção, sendo um caminho sequenciado a ser seguido para atingirmos a plena Redenção conquistada por Cristo para nós. E João é ainda aquele que vai até os fins dos Tempos para relatar a vitória final do Cordeiro conforme relata o Livro do Apocalipse: “Vi um novo céu e uma nova terra, tudo o que era velho passou, ei que tudo se faz novo” (cf. Ap 21).

E tudo isso fica claro no final de seu Evangelho quando ele relata: “Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever”; fica claro aqui que não é simplesmente uma visão humana das obras de Cristo nem quantitativa. João enxergou de maneira alargada ao ponto de afirmar que no mundo não caberiam todos os relados. Isso é uma visão ampliada que só pode ter e enxergar aquele venceu os limites do tempo e do espaço, aquele que foi capaz de transcender na ressurreição de Cristo, de tocar todo esse Mistério e enxergar a partir da ótica do Divino.

São João da Cruz, o outro João místico, ensina-nos um caminho para chegar ao cume do monte, sair desde a mais profunda miséria, passando por um caminho de purificação até atingir o cume da união com Deus. Podemos dizer o caminho Místico Horizontal. São João Evangelista é o místico que encontra um “atalho”, por assim dizer, que é o coração aberto de Cristo na Cruz. Dessa chaga jorra o mistério Divino que chega aos homens, trazendo a vida Divina para nós e ao mesmo tempo é um caminho de mão dupla que nos leva a mergulhar nossa humanidade no Divino através da transcendência. E João Evangelista faz esse caminho e vai mais longe, consegue fazer no mistério do Divino um caminho vertical, desde o seio da Santíssima Trindade, perpassando pela Criação, Redenção e vitória final do Cordeiro. O coração aberto de Cristo é a fenda que Moisés se colocou para ver Deus face a face (cf. Ex 33,22).

Moisés viu Deus de forma parcial, com a face coberta. Em Cristo vemos o Deus total. Saibamos nós também mergulhar nessa fenda aberta para dela nos deleitar, receber a vida de Deus e nela mergulhar nossa humanidade.

Páscoa é isso, é vitória, é vida nova, é alegria, é festa. Festa que não acaba para aquele que crer, mas, muito pelo contrário, é uma festa eterna, é a celebração da vitória de Cristo sobre a morte, sobre toda escravidão. É transcender com Ele porque Cristo Ressuscitou, Aleluia e Ressuscitou verdadeiramente, conforme afirma a liturgia Pascal.

Elias Antonio Breda Gobbi
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

 

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