As coisas vão voltar ao normal?

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Existe um esforço e também um desejo de boa parte da população que tudo volte ao normal: que essa pandemia acabe, que não precisemos viver com medo, que a economia aqueça, que os empregos sejam devolvidos, que a liberdade de um simples passeio seja retomada. Há quem diga que viveremos um “novo normal”, uma nova forma de encarar a vida e garantir a nossa sobrevivência neste mundo.

Se pararmos para pensar quem éramos antes da pandemia e quem nos tornamos no decorrer dos acontecimentos, vamos perceber que as mudanças não foram só externas, mas internas. Fomos forçados a nos adaptar, resistir, encarar, retroceder e avançar. E nesse processo, ficamos frente a frente com a nossa incapacidade e finitude.  Foi difícil encarar que todos nós temos um fim.

Deixa Cristo dar o sentido

Com Cristo, todo esse processo ganha sentido. Ele nos dá a força necessária para vencermos e nos eleva. Somos estrangeiros nesse mundo. “Nós, porém, somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante ao Seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a Si toda criatura”(Fil 3, 20-21).

Nossa verdadeira pátria é lá no Céu. Quando desejo que a vida volte ao normal sempre penso: o que eu aprendi e aprendo com esse período de provação? Talvez o normal de antes não seja tão bom assim. Como tenho me preparado para a minha verdadeira pátria?  “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois nela Deus Pai imprimiu o seu sinal” (Jo 6,27).

Olhos voltados para a eternidade

Encarar esse “novo normal” com os olhos voltados para eternidade nos ajuda a fazer com que a vida valha a pena, mesmo com todos os desafios. Preciso me questionar: qual valor eu tenho dado à vida e à minha família? Tenho respeitado o meu corpo e os meus semelhantes? Tenho trabalhado pela minha conversão?

Viver um “novo normal” sem tirar uma lição de tudo que temos presenciado é uma loucura. Como dá pra ser novo se fazemos tudo da mesma forma? “Ninguém põe um remendo de pano novo numa veste velha, porque arrancaria uma parte da veste e o rasgão ficaria pior. Não se coloca tampouco vinho novo em odres velhos; do contrário, os odres se rompem, o vinho se derrama e os odres se perdem. Coloca-se, porém, o vinho novo em odres novos, e assim tanto um como outro se conservam” (Mt 9, 16-17).

Peçamos a graça ao Espírito Santo para darmos passos de gigante rumo à vontade de Deus! Que o “novo normal” seja verdadeiramente novo.

Andressa Aparecida da Silva
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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