Como ter esperança diante da morte de um ente querido?

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A morte consegue ser um dos maiores mistérios e a maior certeza que temos em nossa vida. Mas mesmo que tenhamos essa consciência por sempre ouvirmos falar, a morte só passa a ser mais real e concreta quando perdemos alguém próximo e muito querido. Ademais, foi o que aconteceu comigo há, exatamente, um mês com a morte da minha avó Tina.

Enquanto pensava no que escrever me lembrei do livro “A Morte de Ivan Ilitch”, na qual a personagem principal, que enfrenta os estágios finais até a morte, faz uma reflexão interessantíssima sobre acreditarmos que a morte nunca acontecerá conosco nem com os nossos. O protagonista, Ivan Ilitch, apresenta o seguinte silogismo: “Caio é homem, o homem é mortal, logo Caio é mortal”, todos sabemos disso, mas a questão para a personagem é de que ele não é Caio, a minha avó Tina, para mim, estava muito distante de ser como Caio. Temos a tendência em até consentir que a morte é um fato quando ela é com o resto do mundo, mas não comigo nem com os meus.

Porém todos somos como Caio. E aí? O que fazer diante disso?

Eu nunca tinha perdido alguém próximo, e a minha avó parecia eterna para mim, ela tinha passado por muita coisa e a sua força havia superado tudo até então, e quando recebemos a ligação do hospital, quando abracei minha família, quando velamos e enterramos a minha avó, não parecia real, e doeu muito. Eu estava conformada com tudo aquilo, tinha assimilado, mas ainda assim não parecia real que alguém que eu amava tanto e que existia antes da minha existência simplesmente não existisse mais. E percebi que de fato a morte é um mistério.

A minha avó tinha 88 anos. E você pode pensar, “Nossa Ana, mas ela já tinha vivido muito, será que é tão sofrido assim?”, e te garanto que é. Claro que há circunstâncias muito mais sofridas, acho que quanto mais inesperado, mais dói, porém, a perda é sempre muito sentida: independentemente da idade e condição. E eu me permiti e permito sentir tudo da perda de uma das pessoas que mais me amou e que eu mais amei.

O que há para além do sofrimento?

Eu me permiti sentir tudo que veio com a morte da minha avó, mas há muito mais que o sofrimento para ser sentido, há esperança. Para nós, cristãos, a morte não é mesmo o fim. Se eu descobri que a morte é um mistério, descobri na Ressurreição de Cristo a concretização do Amor Misericordioso. Aquele 13 de setembro de 2021, às 7h a minha avó conheceu a misericórdia de Deus. Nós a perdemos aqui na Terra, e ela ganhou a eternidade. Viver para a minha avó era Cristo, e morrer para ela era ganho.

E isso não é papo motivacional, nem frase para ser dita apenas no velório, é uma certeza da fé: a morte não é nosso fim, pois Cristo morreu e ressuscitou por mim e por você. Hoje, eu ainda sinto a ausência da minha avó, mas também rezo pela salvação da alma dela, para que ela, caso esteja ainda no Purgatório, logo permaneça na Glória Eterna. A esperança vem com a oração e com a vivência concreta da fé.

Reze pela alma daquela pessoa tão querida que você perdeu, peça ao Espírito Santo a graça de crer ainda mais e de maneira firme que a morte não é o fim, que há mais na Eternidade para aqueles que, em vida, amaram e se deixaram ser amados por Deus. Que vivamos em Cristo e para Cristo e que a morte seja apenas a via para nos encontrarmos eternamente com Ele.

Ana Clara Gonçalves
Engajada na Comunidade Católica Pantokrator 

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