Crer na misericórdia é entender que a onipotência está a nosso favor

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misericórdia
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“Porque tanto os céus distam da terra quanto sua misericórdia é grande para os que O temem.” (Sl 102, 11) A misericórdia é o Amor de Deus colocado a favor do homem. Um amor poderoso que perdoa as faltas, sara as enfermidades, ergue os abatidos, que eleva e devolve a dignidade a Seus filhos.

O salmista vai frisar: “O Senhor é bom e misericordioso!” (Sl 102,8) Aliás, esses versículos fazem parte de um dos salmos preferidos de Santa Teresinha do Menino Jesus: o Cântico das Misericórdias Divinas. Ela foi uma das embaixadoras ou como gostava de dizer: “cantora das misericórdias do Senhor”.

Cantora das misericórdias

“Oh, Madre querida! Depois de tantas graças, posso cantar com o salmista: “O Senhor é bom, eterna é sua misericórdia”. Parece-me que, se todas as criaturas tivessem as mesmas graças que tenho, Deus não seria temido por ninguém, mas amado loucamente, e por amor, não tremendo, as almas recusariam causar-lhe tristeza…”1

Em seus manuscritos podemos encontrar a palavra misericórdia 58 vezes. Contudo, o que é mais belo de se ver é que sua vida foi conduzida pela misericórdia do Senhor. Em uma época em que os cristãos tinham Deus como um juiz severo, ela experimentou o Pai amoroso. E não só sua vida foi impregnada desse amor, mas queria levar o conhecimento da misericórdia divina aos outros.

 “Ó Jesus, como posso dizer a todas as pequenas almas quanto é inefável a Tua condescendência…, sinto que, embora seja impossível, se Tu encontrasses uma alma mais fraca, menor que a minha, terias prazer em cumulá-la de favores ainda maiores, caso ela se abandonasse com inteira confiança à Tua misericórdia infinita.”2

Abandono e Confiança

Santa Teresinha tinha consciência de suas misérias e fraquezas, entretanto, abandonou-se confiante no Bom Deus: “sou apenas uma criança impotente e fraca, mas é minha própria fraqueza que me dá a audácia para me oferecer como vítima ao teu Amor.”3 Aquilo que poderia ser desgraça torna-se canal de graça e atrai o olhar de Deus.

 E ela nos ensina que é preciso reconhecer-se pobre, limitado e pequeno para que Deus nos eleve e nos conduza à Sua vontade.  “Tal qual águia vigilante sobre o ninho, voando sobre os filhotes, Ele estendeu as asas e o tomou e o transportou sobre sua plumagem. Só o Senhor foi o seu guia, nenhum outro Deus estava com ele”. (Dt 32,11)

Cuidado para não se isolar da misericórdia

O grande mal é se isolar da misericórdia, seja pelo sentimento de indignidade ou pela autossuficiência, nos dois casos estamos correndo risco de sabotar os planos de Deus nas nossas vidas e o pior, perder o Céu.

Muitas vezes, seduzidos pelo mundo e inflados pelo nosso orgulho, achamos que a misericórdia é coisa para os fracos. Temos medo de estar nesta posição. Já em outros momentos, sabemos das nossas limitações, porém, não procuramos ajuda, ficamos nos autoflagelando: “eu não consigo”; “sou assim mesmo”; “nada muda”.

E tem outro perigo: cairmos no relativismo de achar que, como Deus é bom eu posso viver uma vida morna, sem um sincero arrependimento e sem uma busca verdadeira de conversão.

Reaja! Permita ser encontrado por esse Deus que te ama muito! Retire da sua mente toda a falsa imagem de Deus.  Saiba que o Pai te espera ansioso, como na parábola do filho pródigo: “estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, o abraçou e o beijou. O filho lhe disse, então: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai falou aos servos: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés. Trazei também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa. Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado” (Lc 15, 20-24).

Andressa Aparecida da Silva
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator 

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