Derramar lágrimas sobre suas imperfeições é perda de tempo

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Durante o processo de amadurecimento, o ser humano precisa passar pelo autoconhecimento. Este caminho pode ser árduo, com muitas lágrimas, pois certamente iremos nos deparar com nossas imperfeições. Diante disso, é a postura que tomaremos o que vai definir quem somos e aonde queremos chegar.

Atualmente, assuntos como autoconhecimento, inteligência emocional e desenvolvimento humano estão em alta. Isso está acontecendo porque tem-se percebido a necessidade de o ser humano, em algum momento, parar de olhar para si de modo egoísta e egocêntrico e passar a olhar para si através do todo que o cerca. Por diversos motivos, as pessoas deixaram de se perguntar “quem eu sou” para focar na ideia do “o que eu faço”.

Esta ambição em fazer algo, ser o melhor no que se faz, ou ganhar muito dinheiro por aquilo que se faz, fez com que o homem fosse levado a pensar que deveria ser uma máquina. Sem erros, sem falhas ou imperfeições, o que o estava deixando angustiado, desmotivado e infeliz. Foi então que este movimento de descobrir-se ganhou significado. É preciso conhecer nossas imperfeições para então aprender a lidar com elas e assim tornar-se uma pessoa melhor.

Sou imperfeito, e agora?

Quando passamos a enxergar quem somos, ou seja, a verdade sobre nós, podemos nos deparar com aspectos ruins ou algo que para nós é ruim. De nada vai adiantar se, simplesmente olhando para isso, eu me julgar um infeliz, um coitado e incapaz. É como se eu pegasse um pacote pesado nas mãos e, mesmo sabendo que aquilo está me fazendo mal, ao invés de colocar o pacote no chão, eu ficasse chorando e lamentando por aquilo. Ou pior, que eu ficasse esperando que outra pessoa viesse aliviar este peso.

Diante das nossas imperfeições, é preciso sim refletir. Pode ser que sejam necessárias algumas lágrimas, mas que estas não sejam duradouras demais e nem definam quem você é. Encare estas verdades como oportunidades de sermos melhores.

Os óculos de Deus

A revelação das nossas imperfeições pode ser o degrau que faltava para nos aproximarmos de Deus. O autoconhecimento nos revela uma verdade, mas quando olhamos para ela só com nossos olhos humanos, essa verdade é “embaçada”. Como quando nos olhamos no espelho, após um banho quente. Até podemos enxergar, mas não vemos bem.

Para podermos enxergar bem, precisamos dos óculos de Deus, ou seja, o jeito que Ele nos vê. Deus nos ama como somos, pois é na nossa miséria, nos nossos defeitos, que Ele pode agir em nós.

Santa Teresinha do Menino Jesus, a grande mestra da pequenez, descobriu esse tesouro. Por sua história e seu temperamento, ela tinha todos os motivos para passar sua vida entre lágrimas e lamentações. No entanto, quando, pelo Espírito Santo, ela “colocou os óculos” de Deus sobre si, passou a gastar a sua vida voltada para Deus; tudo e todos eram motivos e oportunidades de amar a Deus. E se aquilo tocasse suas imperfeições, melhor ainda seria, pois mais amor poderia colocar naquilo.

Que pela intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus possamos encontrar em nossas imperfeições um trampolim que nos aproxima de Deus.

 

Vanessa Cícera
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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