Foi para liberdade que Cristo nos libertou

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“Foi para liberdade que Cristo nos libertou. Ficai, portanto, firmes e não vos submetais outra vez ao jugo da escravidão.” Gl 5, 1.

Somos homens e mulheres do nosso tempo, e estamos em tempos de falar sobre liberdade. Especialmente sobre o que isso significa para nós cristãos. Que liberdade é essa de que Paulo fala em sua carta aos Gálatas?

Bom, acredito que você, meu caro leitor, deve valorizar muito o fato de poder escolher aonde ir, o que vestir, as opiniões que quer expressar, o meio de transporte que vai utilizar, enfim, creio que valoriza essa liberdade que tem. Eu também valorizo. Somos livres, podemos fazer o que quisermos!

Tanta liberdade e pouca felicidade. Meu caro leitor, embora alguns associem uma vida feliz com a liberdade que se tem de viver, não é o que vemos atualmente, visto que os casos de doenças de natureza psicológica, como depressão, transtorno do pânico, transtorno de ansiedade, têm crescido exponencialmente nos últimos tempos. Vejam vocês que até os hebreus, depois de libertos da escravidão do Egito, em certo momento murmuraram contra essa liberdade e desejaram voltar à condição de escravos por achá-la menos sofrida. Qual a causa desse descontentamento, dessa tensão interior que nos faz desejar a escravidão novamente como forma de aliviar o sofrimento?

Não existe resposta fácil para essa pergunta, mas gostaria de propor aqui um caminho para encontrar essa resposta, para isso te convido a refletir comigo nessa afirmação de Santo Agostinho: “Um homem bom é livre, mesmo quando é escravo. Um homem mau é escravo, mesmo quando é rei. Não serve a outros homens, mas a seus caprichos. Tem tantos senhores quantos vícios.”

Leia novamente a primeira frase desse texto e em seguida a frase acima. Antes de continuar a leitura, pare uns instantes e medite sobre o que está contido nas frases apresentadas. Meditou? Prossigamos então.

Vejam vocês que o sentido mais profundo das afirmações de Paulo e Agostinho não se encontra no nosso conceito limitado onde ser livre é fazer o que quiser e escravo é ter alguém limitando nossas escolhas. O que ambos nos dizem é que o pecado é o senhor que nos escraviza, que rouba nossa paz, que nos leva à morte.

Cristo deu sua vida por nós, para que fôssemos libertos do pecado, redimidos, verdadeiramente livres! E os santos que vieram antes de nós tomaram posse dessa verdade e livres viveram para Cristo. Livres e felizes deram sua vida como mártires. Livres e felizes escolheram viver na clausura em monastérios, consumindo sua vida em oração e trabalho para o reino dos céus. Eles trilharam o caminho da autêntica liberdade para nos ensinar o que de fato é ser livre.

Tantas coisas têm nos escravizado: o medo do futuro, a necessidade de ser aceito pelos outros, de ter sucesso na vida, enfim, coisas efêmeras que roubam a paz do nosso coração e aprisionam nossa alma ao mundo, aos vícios, ao pecado. Para nós que fomos libertos pelo Sangue de Cristo na Cruz, a verdadeira liberdade está em confiar nossa vida a Deus, em amar e se deixar amar por Ele. Ser livre é muito mais do que fazer o que bem entender. É saber que tudo posso, mas nem tudo me convém. É descansar o coração na certeza do céu, ainda que tudo à nossa volta insista em tentar roubar nossa paz interior.

A famigerada liberdade só será alcançada quando nossa fidelidade a Deus que nos libertou for maior que o pecado que nossa arrasta para escravidão dos vícios. Só é fiel quem ama. E só amamos aquilo que conhecemos. Para conhecermos e amarmos a Deus, o único caminho é a oração. Somente pela oração, na intimidade com o Senhor poderemos tomar posse plena da carta de alforria que nos foi dada na Cruz, assinada com Sangue, chancelada com Amor!

Para terminar, deixo a questão: por qual liberdade você quer lutar? A liberdade que o mundo apresenta, ou a liberdade que Paulo nos apresenta na frase que inicia esse texto?

Peçamos a luz do Espírito Santo e a intercessão da Virgem Santíssima para que possamos alcançar e viver uma autêntica liberdade.

Deus abençoe.

Fernanda Guardia
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator 

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