Lute como um bravo guerreiro!

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Guerreiro

Começo este texto com esta frase de Santo Agostinho: O Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti”. Você já parou para pensar que Deus deseja mais a nossa santidade que nós mesmos? Que a partir do nosso batismo somos chamados para uma luta que só termina quando, enfim, alcançarmos a eternidade? Estamos em uma “arena”, um “campo de batalha” e nossa melhor decisão para não perder a eternidade é lutar como um bravo guerreiro.

Essa luta é constante, a santidade é dinâmica, acontece em nosso dia a dia. Precisamos buscar a vontade de Deus, e para tanto, recebemos em nosso batismo um reforço “de peso” e seu nome é GRAÇA SANTIFICANTE. Ela é enxertada na essência da nossa alma.

A graça santificante é um dom habitual, uma disposição estável e sobrenatural, que aperfeiçoa a alma, mesmo para torná-la capaz de viver com Deus e de agir por seu amor. Devemos distinguir a graça habitual, disposição permanente para viver e agir segundo o apelo divino, e as graças atuais, que designam as intervenções divinas, quer na origem da conversão, quer no decurso da obra de santificação. (CIC 2000)

Para ser um bravo guerreiro é necessário fazer escolhas definitivas, escolhas divinas e, portanto, precisamos ter vida de oração para, em total sintonia com o Espírito Santo, lutar sempre contra o pecado e sermos sustentados nesse combate pelo Pai que nos ama, e esse movimento filial faz com que a graça cresça.

Encontramos uma das mais belas ilustrações dessa atitude de entrega na vontade de Deus na resposta de Santa Joana d’Arc a uma pergunta capciosa dos seus juízes eclesiásticos: «Interrogada sobre se sabe se está na graça de Deus, responde: “Se não estou, Deus nela me ponha: se estou, Deus nela me guarde”» (ibid., p. 62, cf. Catecismo da Igreja Católica, 2005).

Contamos também com a graça das virtudes teologais que são o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano; são como uma janela onde Deus pode transformar a alma através de atos teologais. Das virtudes teologais, brotam todas as outras virtudes cristãs. São três as virtudes teologais: fé, esperança e caridade.

E assim as virtudes de um guerreiro surgem na própria história de vida:

 A Fé: “pela fé, cremos em Deus e em tudo quanto Ele nos revelou e a santa Igreja nos propõe para acreditarmos.” (CIC 1842)

O ato de fé tem Deus como causa. Amo a Deus por Ele mesmo, não pelo que Ele faz; amo para ter o próprio Deus, não pelo que Ele pode me dar.

A Esperança: pela esperança, desejamos e esperamos de Deus, com firme confiança, a vida eterna e as graças para merecê-la.” (CIC 1843)

Essa virtude corresponde ao desejo de felicidade que Deus imprimiu no coração de cada um de nós. Ela nos faz caminhar e na medida em que o objetivo, “o céu”, parece difícil, através de um ato de esperança, retomamos a energia na direção daquilo que desejamos.

A Caridade: “pela caridade, amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, por amor de Deus. A caridade é o «vínculo da perfeição» (Cl 3, 14) e a forma de todas as virtudes.” (CIC 1844)

Para vivermos o amor a Deus e ao irmão de forma encarnada em nosso dia a dia, devemos realizar atos concretos e simples, de amor a Deus, que será realizado através do nosso próximo. Seja um pedido de perdão, a oração do terço por algum enfermo ou mesmo uma ajuda material a um necessitado.

Conforme nos exercitamos nas virtudes e vamos vencendo nossas lutas, outras virtudes vão florescendo em nossa alma. Destaco duas: magnanimidade e humildade, ou seja, cultivar uma alma grande, uma alma que confia plenamente em Deus, mas que, ao mesmo tempo, é uma alma capaz de se reconhecer pequena, necessitada, totalmente dependente Dele. É uma grande graça percebermos na vida de tantos santos essas virtudes e descobrirmos que sim…
… A Santidade é possível!!!

Santa Teresinha do Menino Jesus dizia: “O bom Deus não poderia inspirar desejos irrealizáveis; posso, pois, apesar da minha pequenez, aspirar à santidade. Fazer-me maior é impossível, devo-me suportar tal qual eu sou, com as minhas imperfeições sem número; mas quero achar o meio de ir para o céu por uma pequena trilha bem reta, bem curta, uma pequena trilha inteiramente nova”.

São Francisco de Sales nos ensina: “Nascemos para buscar a felicidade. Por isso, nosso pobre coração, ao correr atrás das criaturas, corre ansioso, crendo poder satisfazer seus desejos; mas apenas os alcança, comprova sua vaidade e não se satisfaz (…) Minh’alma, se tu podes conhecer e amar a Deus, por que buscas contentamento em coisas menores? Se podes alcançar a eternidade, por que paras no tempo? És capaz de Deus. Desgraçada és se te contentas com menos”.

A Santidade, como já percebemos, realiza-se na vida, no cotidiano e nas coisas simples que cada pessoa desempenha. Colocar amor naquilo que fazemos e ir conquistando dia após dia vitórias. Por isso, podemos nos lançar sem medo de sermos santos. Vamos em frente, bravos guerreiros, pois nada nos será tirado, nem as forças nem a alegria, porque, afinal de contas, foi Deus quem desejou isso para nós e essa é a nossa vocação primeira: a santidade.

O Papa Francisco exorta: “Não tenhas medo de apontar para mais alto, de te deixares amar e libertar por Deus. Não tenhas medo de te deixares guiar pelo Espírito Santo. A santidade não te torna menos humano, porque é o encontro com a tua fragilidade e com a força da graça”.

E lembremos sempre: quando saímos vitoriosos de uma batalha, precisamos saber que outra virá. Essa verdade nos coloca em nosso lugar de bravos guerreiros. “O verdadeiro guerreiro é aquele que conhecendo suas fraquezas, não se deixa vencer por elas” e também entende que não vencerá sempre, mas que nos campos de batalhas da santidade, se caírem com o rosto na lona, se levantarão com a graça do Espírito Santo.

Mônica Laura dos Anjos Tavares de Andrade
Discípula da Comunidade Católica Pantokrator

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