Maria: Aquela que acreditou

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Maria

Maria é modelo de confiança para os cristãos e pela sua maternidade quer ajudar-nos a vencer a desconfiança gerada pelo pecado.   “De fato, depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada”. ¹

A anunciação foi um passo grandioso para aquela jovenzinha. O seu “Faça-se” ecoa por toda a eternidade. Naquele momento, Maria não tinha noção plena de tudo o que estava por vir, mas se entregou sem reservas à vontade de Deus.  “O seu “faça-se traz um vazio de si de tal forma que, a partir dele, o Espírito concebe em seu ser a obra mais perfeita: o próprio Eu Sou encarnado”. ²

Quantas vezes somos surpreendidos pelo anúncio de Deus em nossas vidas e ficamos medindo, calculando, vendo os prós e os contra,  negociando uma segurança para então dar o passo. Como somos desconfiados e tão cheios de nós mesmos! De onde vem essa desconfiança toda? Parte dela vem da falta de intimidade com Deus; na distância não conseguimos conhecer os seus planos.

Maria era íntima de Deus

Maria era íntima de Deus, sabia exatamente em quem estava depositando toda a sua confiança. “Na Anunciação, de fato, Maria entregou-se a Deus completamente, manifestando a obediência da fé Àquele que lhe falava, mediante o seu mensageiro, prestando-lhe o obséquio pleno da inteligência e da vontade. Ela respondeu, pois, com todo o seu eu humano e feminino. Nesta resposta de fé estava contida uma cooperação perfeita com a prévia e concomitante ajuda da graça divina e uma disponibilidade perfeita à ação do Espírito Santo, o qual aperfeiçoa continuamente a fé mediante os seus dons.” ³

E essa resposta de fé foi dada no dia a dia. Maria não foi um fantoche, mas participou do plano de Deus como todo o seu eu, temperamento e vontade: no nascimento de Jesus, na vida oculta, na sua revelação aos discípulos, nos milagres, na sua crucifixão e morte… Maria não esperou um tempo favorável para aderir à vontade de Deus, mas foi reafirmando a sua obediência ao Pai. Santo Irineu vai dizer: “O nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; aquilo que a virgem Eva atara com a sua incredulidade, desatou-o a virgem Maria com a sua fé”.

Não esperemos que as coisas estejam todas planejadas para dar o sim a Ele. Deus espera nosso ato de fé e confiança no hoje! Isso mesmo, diante do desemprego, do trabalho, da doença, da perseguição, da incerteza, das lutas diárias, dos afazeres. Que possamos nos esvaziar para que o Espírito Santo faça maravilhas em nós.

Nós também seremos bemaventurados se colocarmos todo o nosso nada nas mãos do Deus TodoPoderoso, porque para Ele nada é impossível! “Porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.” (Lc 1, 49-50).

Referências

1.       Lumen Gentium , 52

2.       RVCESP, 19

3.       Redemptoris Mater, 13.

 

 

Andressa Silva

Consagrada da Comunidade Pantokrator

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