Onde a minha liberdade tem me levado?

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liberdade

A liberdade é mais do que algo que conquistamos, ela é um dom gratuito de Deus. Corremos o risco de limitá-la em nossos trejeitos e em padrões de não submissão. Mas, ela é dada a mim e a você como presente. Não podemos ficar parados.

A liberdade é um fruto dado pelo Espírito Santo, de forma que ela se revela e é concebida a nós nas maneiras em que nós nos descobrimos em Deus. A liberdade do Espírito é o contrário daquilo que o mundo prega nas redes sociais sobre ser dono de si mesmo, não dar satisfações, às vezes não obedecer, fazer o que quer, como e onde quer. Para o mundo, a liberdade é sinônimo da busca da felicidade e do amor egoísta.

As nossas escolhas muitas vezes nos mascaram em ilusões contraditórias que nos proporcionam fantasias da liberdade, mas não a realidade da mesma. Carregamos mentiras que acreditamos como sendo verdadeiras: mentiras compostas pela sociedade, por crenças, pela educação, e por vários outros aspectos. Para ser livre é necessário ter coragem de ter um conhecimento maior de nós mesmos: sentimentos, gostos, verdades, para que assim possamos compreender o que na cerca e se estamos percorrendo o caminho correto.

Caro leitor, ao discorrer essas linhas, você estará sujeito a adentrar nos mistérios da liberdade e refletir a que lugar ela tem te levado e quais os caminhos tem permitido percorrer.

A Liberdade ela é somente externa? Ou podemos ser livres internamente?

 Eu te procurava fora e estava dentro (Santo Agostinho)

Santo Agostinho era guiado por suas paixões, era um homem voltado às coisas exteriores, mas em busca de saber a verdade sobre si mesmo e sobre Deus, ele mergulha em uma busca incessante sobre a verdade do amor, da fé e da liberdade. Sem jamais perder a esperança ele se deixa ser encontrado por Deus. Ele O procurava exteriormente, porém Deus estava dentro dele. Santo Agostinho descobre a verdade sobre o amor, sobre a fé e a sobre liberdade na inteireza que lhe é concedida.

O problema é que nós, seres humanos, queremos tocar tudo, sentir o vento da liberdade no nosso rosto, através de expressões de pleno prazer. Porém, quando ela atinge o nosso interior, nós somos extasiados por uma liberdade de dentro para fora que transborda, que contagia e que nos faz renascer.

Quando tudo ao nosso redor não está de acordo com o que desejamos, colocamos a culpa nas coisas, nas circunstancia nas pessoas, no nosso físico, nossa saúde. Tudo vira desculpa para não olharmos para dentro.

Há certas limitações que precisam ser corrigidas e barreiras que necessitam ser ultrapassadas para que se conquiste a liberdade, mas há também grande dose da ilusão que precisa ser desmascarada. Sempre passaremos por processos dolorosos, mas não podemos parar neles. O Espírito Santo nos conduz para que olhando para dentro de nós, enxerguemos as prisões que nos acorrentam. A liberdade precisa ser interior antes de ser exterior, senão ela se torna passageira e momentânea.

Como identificar se somos livres?

Um exemplo bem simples que nos fará compreender é o de Santa Teresinha. Ao lermos os seus escritos imaginamos que o Carmelo em Lisieux, no qual ela viveu dez anos, era enorme, que o jardim era grande e lindo, com acesso ao sol todas as manhãs. Mas essa não é realidade que essa grande Santa viveu. Era um Carmelo no interior de uma arquitetura banal, um jardim minúsculo, uma pequena comunidade formada por religiosas cuja educação, cultura e maneiras frequentes deixavam a desejar, um clima no qual o sol nem sempre aparecia. (Jacques Philippe- A Liberdade Interior)

Santa Teresinha nos passa uma expressão de liberdade verdadeira que é vivida integralmente. Ela não era limitada pelo espaço onde viva, ou por uma educação estrondosa, muito menos pela vivência com suas irmãs. Ela era livre! Na forma de amar, de se doar e na forma de ser inteira com Deus. Seus escritos falam sobre liberdade, sobre amor, falam sobre um jardim maravilhoso, ela fala sobre como Deus a visitava de várias formas, através dos pássaros, das plantas. Como? Em um cenário desse?

Ela descobriu a liberdade em amar! Isso liberta todas as prisões e clausuras citadas acima, isso nos liberta de qualquer limitação humana. O que você tem buscado? Onde e como tem vivido a sua liberdade?

Dando passos maiores do que posso imaginar

Não podemos exercer verdadeiramente a nossa liberdade a não ser no momento presente. Não podemos mudar o passado, sendo assim, o único ato que podemos fazer sobre nosso passado é aceita-lo tal como ele é e entrega-lo a Deus com confiança.

Em relação ao futuro: também não podemos controlar nossas vidas, os seus acontecimentos, muito menos podemos prever alguma situação. O que podemos fazer é acolher o instante em que vivemos.

O presente é acima de tudo o momento de presença de Deus, precisamos estar convencidos de que Ele está conosco sempre, é necessário vivermos o estado presente em sua completude, acolhendo quem somos, nossas falhas, sentimentos, vazios, desilusões ou felicidades. Deus está conosco em todos eles. É necessário acolher a graça.

Caro leitor, eu não sei por onde você tem andando e quais escolhas tem feito, mas sei que se chegou até aqui, é porque tem dúvidas se é livre, ou está em busca da liberdade. Deus quer que você seja liberto das coisas erradas que tem feito ou que, tentando acertar, tem te escravizado através daquilo que os outros gostariam que você fosse. Tudo isso tem feito você perder a sua verdadeira identidade, tem feito você esquecer os valores que constituem quem você é!

Convido-te a refletir sobre os seus relacionamentos, suas escolhas e sobre os lugares que frequenta. Perceba se você tem sido escravo ou livre dessas escolhas. Como diz Santo Agostinho, talvez você esteja procurando a liberdade lá fora e ela precisa ser encontrada dentro.

Deus é o único que pode te trazer essa verdade sobre si mesmo. Convide-o a percorrer o seu dia, a sua história. Entregue seus pecados, os seus vícios, os relacionamentos tóxicos, e tudo aquilo que está ao seu redor e que te impede de ser quem você precisa se tornar. Deixe-O conduzir os seus passos e, assim, Ele te levará ao inimaginável.

Santa Teresinha viveu num espaço pequeno, mas Deus a fez viver grandemente em seu interior, e exteriormente Deus a concedeu a liberdade de expressão, da escrita, do modo agir, de ajudar, de amar, e de viajar o mundo sem ao menos ter saído de lá.

Que o bom Deus te conduza e que você seja inteiramente livre!

Carla de Fátima Gaspar
Discípula da Comunidade Católica Pantokrator

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