Pequenos sacrifícios salvam almas

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Por muito tempo em minha vida não dei valor aos pequenos sacrifícios. Apaixonada por histórias de heróis e seus grandes feitos, sonhava também viver aquelas aventuras mirabolantes. Quando conhecia a história de algum santo, que deu a vida pelo Reino de Deus, lá estava eu desejando aquele dom, almejando atos grandiosos.

Não percebia que minha vida estava cercada de pequenas aventuras. Os atos grandiosos assemelhavam-se àquelas flores raras. Elas têm beleza, chamam a atenção, mas florescem na época própria. Já os pequenos sacrifícios são aquelas plantinhas que você encontra em tudo que é lugar, não tem tempo ruim. Ou melhor, tempo ruim parece ser um terreno fértil para essas espécies.

Qual o terreno fértil para os pequenos sacrifícios?

Na família, no trabalho, nos estudos, na conversa entre amigos, no trânsito, na igreja, na fila do Banco, nas contrariedades da vida, tenho certeza, você vai encontrar situações que podem ser ofertadas por amor a Deus e pela salvação das almas.  Pequenos sacrifícios que ninguém vê. Não há holofotes, elogios; somente a união com Deus.

“É justo oferecer a Deus sacrifícios em sinal de adoração e de reconhecimento, de súplica e de comunhão: É verdadeiro sacrifício toda ação feita para se unir a Deus em santa comunhão e poder ser feliz” (Catecismo da Igreja Católica, § 2099).

Unindo o meu sacrifício ao sacrifício de Cristo

Nas Sagradas Escrituras, vemos que sacrifício é uma oferta oferecida a Deus. No Antigo Testamento, eram ofertados animais, alimentos, bebidas…  Já no Novo Testamento, Jesus realiza o único sacrifício perfeito, “oferecendo a Sua própria vida na cruz, em total oblação ao amor do Pai e para nossa salvação. Unindo-nos ao Seu sacrifício, podemos fazer de nossa vida um sacrifico a Deus” (Catecismo da Igreja Católica, § 2100).

Santa Teresinha do Menino Jesus compreendeu muito bem isso, por meio de sua “pequena via”. Ela descobriu que não importa o tamanho da ação, mas sim o amor que colocamos nela. Tudo pode ser ocasião para agradar o coração de Deus. Como ela mesma disse: “apanhar um alfinete por amor pode converter uma alma”. A minha vida pode ser um instrumento para salvação de muitos.

Disposição do coração

“A santidade não é esta ou aquela prática, mas consiste numa disposição do coração que no faz humildes e pequenos nos braços de Deus, conscientes de nossa debilidade e confiados até a audácia em sua bondade de Pai” (Obras completas. Últimas conversações, pág. 1397). Meu coração precisa querer aproveitar cada ocasião. Para isso, precisamos pedir a graça do Espírito Santo. É ele que nos capacita, encoraja e nos ajuda a avançar.

Quantas vezes andamos distraídos ou simplesmente não queremos amar nas pequenas coisas! Esperamos ocasiões favoráveis para dar o passo. Depende da nossa decisão hoje! Do nosso sim ao Amor Poderoso, que tudo pode transformar.

 Pequenos sacrifícios

Lavar uma louça no inverno, orar pelos inimigos, não se justificar diante de um erro, não murmurar diante de uma contrariedade, ter paciência no trânsito, rezar mesmo sem vontade, deixar que o outro vença uma discussão, trabalhar com alegria, trocar a crítica pelo elogio, evitar a procrastinação, preparar uma refeição com amor,  deixar o melhor pedaço para outro, acordar mais cedo, escolher a pior tarefa…

De fato, os pequenos sacrifícios são essas plantinhas que dão em vários lugares: se você procurar, vai encontrar situações que podem ser ofertadas pela salvação das almas e por amor a Deus. Como diz São João da Cruz, “a alma que anda no amor não cansa nem se cansa”.

Andressa Aparecida da Silva
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator 

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