Por que as amizades acabam?

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Achei curioso quando li a proposta do tema, porque muitas vezes só nos atemos a visão romantizada sobre as amizades, ao tesouro que ela é e o bem recíproco que proporciona. Porém temos muita facilidade em comemorar e falar sobre os começos dos ciclos bons, mas dificuldade para enxergar esse mesmo bem no fim deste ciclo que sim foi bom. Ademais, o fato de amizades terminarem não anula a bondade e o significado daquilo que ela construiu e proporcionou.

Além disso, o fato de uma amizade ter acabado não significa que aquele bem acabou, ou que as pessoas devem se odiar e se consumirem numa triste nostalgia ao lembrarem do que passou. Pelo contrário, o nosso coração deve se inundar por uma profunda alegria e gratidão por ter tido alguém que contribuiu e compôs uma fase importante e significativa da minha vida e que ajudou a construir o meu “eu” de hoje. As amizades que passaram devem nos alegrar, porque da mesma forma que um bem foi feito a nós, agimos com caridade, amor e solidariedade por outra pessoa.

Reparem que aqui estou falando de um espectro de fim de amizades sadias, caridosas, solidárias e saudáveis. O fim de uma amizade nociva e que me afasta da Vontade e do Coração de Deus não deve ter um fim cíclico e natural, mas pronto e abrupto, pois é uma amizade que não vem dos desígnios de Deus e consequentemente não me inspira ao Amor que vem da Verdade. Mas voltando ao nosso recorte de amizades que são como tesouro…

Enfim, se elas são tão boas, por que acabam?

A grande questão é que se as amizades são presentes e frutos da Vontade de Deus, não somos estritos possuidores dela, elas pertencem ao Pai e estão dentro do Seu Plano. É claro que temos responsabilidade na sua continuidade e devemos ter cuidado para podá-la, mantê-la e fazê-la crescer, mas mais uma vez te digo, se elas vêm do Senhor e estão mergulhadas no mistério da caridade que é inspirada no Seu Amor, elas não nos pertencem.

E Deus tem um plano para cada um de nós, as amizades compõem este plano e nos ajudam na caminhada ao Céu, muitas vezes elas fazem parte de etapas e ciclos específicos, que tem começo, crescimento e fim. Mas calma, isso não quer dizer que devemos ter uma relação utilitarista com nossos amigos, consumindo aquilo que as amizades podem nos proporcionar: as amizades não são um produto! Elas são uma potência de amor, amadurecimento e construção, sendo assim, cheias de significado elas funcionam muitas vezes como um processo que tem um fim. E está tudo bem.

O fato de uma amizade acabar está longe de significar que a pessoa é varrida para fora da nossa vida, que devemos ser grosseiros ou desrespeitosos, se isso acontecer pode ser um sinal de que ela não foi vivida no Amor (com “a” maiúsculo mesmo). Significa que o distanciamento pode acontecer e que o encerramento dessa etapa também precisa ser valorizado, maturado e respeitado.

Muitas amizades minhas já fecharam o seu ciclo, ainda converso com essas pessoas e tenho um carinho e gratidão enorme por elas, pois sei da potência do tempo que vivemos uma amizade intensa e dos ensinamentos que ficaram. Essas amizades foram fundamentais para a pessoa que eu sou hoje, assim como sei que a recíproca é verdadeira. Pessoas foram colocadas por Deus na minha vida para que eu vivesse o que tinha que viver naquele momento e esse ciclo se encerrou, e de novo, está tudo bem.

Mas isso significa que todas as minhas amizades vão acabar?

Claro que não! Eu tenho amigos que estão comigo até hoje desde que eu tinha cinco anos, amizade não tem prazo de validade, amizade tem um ciclo para aquilo que Deus quer fazer conosco. Há ciclos que duram a vida inteira, consequentemente, pessoas que ficarão conosco – desse modo diferente que é a amizade – a vida inteira. Precisamos ter docilidade e escuta para entender o tempo de Deus em nossas vidas, dessa forma, através das amizades e com elas chegaremos juntos ao Céu!

 

Ana Clara Gonçalves
Engajada na Comunidade Católica Pantokrator

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