Ser amado e amar: Eis o fim último do nosso existir.

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amado

Pronto, com essa frase já resolvemos aquelas questões fundamentais que permeiam nossos pensamentos: “Quem sou e para onde vou?” É simples assim! Você é o amado e irá para o Amor. Portanto, podemos dizer como o velho Simeão em Lucas 2, 29: “Deixai agora vosso servo ir em paz.”

Mas calma aí, não tão rápido assim! Não deixarei vocês irem embora logo no primeiro parágrafo. Não irei facilitar as coisas. Continuemos, então, a partir da seguinte pergunta: Você sabe o que é “ser amado e amar”?

Discípulo Amado

Podemos encontrar a resposta para essa pergunta nos filósofos, nos psicólogos, cientistas de todo tipo, porém aqui, quero propor um caminho de reflexão a partir do evangelista São João que se auto intitula como, “o discípulo amado”, e que amou Jesus de tal modo que foi o único a permanecer aos pés da Cruz.

Pois bem, ao lermos os evangelhos nós podemos ver que Jesus amava todo mundo, certo? Então, porque é que João é o único a usar esse título “o discípulo amado” em seu evangelho? Seria ele o preferido de Jesus? Impossível, porque Jesus sendo Deus ama a todos em igual medida e a medida de Deus é amar sem medida, logo, não tem como ele ter recebido mais amor que Judas ou Simão Pedro.

Se ele não era o preferido, visto que o amor de Deus é igual a todos nós, porque somente ele é tido como o discípulo amado?

Bom, só consigo pensar em uma resposta para isso: João fez uma experiência profunda com o amor de Jesus de maneira que ele já não é mais João sua identidade se funde com o amor que experimenta, dando origem a essa nova identidade: “o discípulo amado”.

Vejam que profunda é essa fusão (metamorfose) que, respondendo a esse amor, o discípulo que Jesus amava acompanha a Paixão de Nosso Senhor, ao lado da Virgem Santíssima, ao ponto que: “Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.” Jo 19,26-27 E assim, todos nós por consequência, fomos adotados como filhos da Virgem Maria e ganhamos uma Mãe.

Vejam que não era mais João ali, era o discípulo amado. Esse detalhe é importante que seja percebido para que todos nós nos percebamos representados nele, porque à medida que nos abrimos a essa experiência de amor com Deus, também nós não seremos mais fulano, beltrano, e sim, o discípulo amado.

Conseguem entender o que é ser amado e amar? Conseguem tocar esse mistério profundo e concreto que somos convidados a viver?

Sim, meus amigos, somos todos discípulos amados, mas quantos de nós ao chegar ao fim dessa vida poderemos ter a seguinte escrita na lápide: “aqui jaz o discípulo que Jesus amava”? O quanto estamos dispostos a abrir mão da nossa identidade para essa nova dada pelo amor de Deus?

Meus caros leitores, as perguntas que citamos no começo do texto e que nos vem à mente ora ou outra, já foram respondidas pela encarnação do Verbo e vividas por seus discípulos: ser amado e amar, eis o fim último de nossa existência! Eis um convite a você que está lendo este texto: faça como João ao experimentar o amor de Deus em sua vida: abandone-se completamente, tome posse dessa nova identidade de discípulo amado e colha as alegrias dessa relação com o Senhor. Recline em Seu peito, acolha Sua Mãe e a leve para casa, persevere até o fim.

João não foi transformado por um amor efêmero, não experimentou algo superficial. Ele viu, tocou, tomou posse de um Amor concreto, eterno, sem medida que todos nós também recebemos em cada Eucaristia. Basta-nos somente a atitude de João diante desse amor, atitude de quem numa união profunda sofresse essa mudança de identidade e parafraseando o apóstolo Paulo poderemos dizer como João: “Não sou mais eu, mas o discípulo amado pelo Cristo que vive em mim! ”

Peçamos ao Espírito Santo que nos ilumine e ajude a viver concreta e objetivamente essa experiência de discípulos amados!

Que o bom Deus te abençoe e a Virgem Santíssima, nossa mãe, seja sempre essa presença maternal que precisamos em nossa caminhada.

Fernanda Guardia
Consagrada da Comunidade Pantokrator

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