Virgem de Guadalupe, a intercessora dos não-nascidos

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Virgem de guadalupe

No dia 12 de dezembro de 2018, dia da celebração da festa da Virgem de Guadalupe, o Papa Francisco realizou normalmente a Audiência Geral, como de costume. Antes de encerrar a audiência, o Sumo Pontífice pediu a intercessão da Virgem Santíssima por todas as famílias que não têm filhos e implorou a sua proteção, especialmente, àquelas crianças que ainda não nasceram ou que sofrem risco de não nascer.

A prece do Papa, de fato, se faz muito pertinente nos dias atuais, em que a cultura da morte avança suas propagandas em todos os meios de comunicação. Além disso, nos dá uma excelente ocasião de lembrar a todos sobre a realidade da vida intrauterina, isto é, daqueles seres humanos que, apesar de ainda não terem um “registro de nascimento” ou um “documento de identidade”, já possuem uma alma imortal e são intensamente amados pelo Nosso Senhor.

OS NOSSOS IRMÃOS NÃO-NASCIDOS

O Catecismo da Igreja Católica é bastante claro ao demonstrar que a pessoa humana é, “desde sua concepção, ordenada para Deus e destinada à eterna bem-aventurança” (§ 1.711). Isto significa que os nascituros são tão dignos da existência quanto eu e você, de modo que não é a partir do nascimento que eles adquirem valor. É justamente por esta razão que a Igreja condena o aborto em absolutamente todas as hipóteses.

Entretanto, quando falamos acerca da fragilidade destes nossos irmãozinhos, não se deve ter em mente apenas as situações envolvendo o aborto provocado. É muito comum nós conhecermos alguma mulher que perdeu o seu bebezinho durante o período gestacional, o que evidentemente é motivo de muita angústia e sofrimento. Algumas mamães perdem os seus “anjinhos” ainda nas primeiras etapas gestacionais, quando ainda não descobriram o sexo e nem puderam dar um nome ao pequeno; outras perdem nas fases finais, quando muitas vezes já estavam com tudo devidamente preparado para a grande chegada.

Os motivos dessas perdas são diversos, desde problemas de saúde por parte da mãe, até acidentes ou má formação genética dos bebês. Seja como for, é certo que todos os cristãos deveriam oferecer orações por estes pequenos filhos de Deus, que ainda se encontram em uma situação tão vulnerável.

Mas não pensemos que o Senhor do universo fica indiferente diante da fragilidade destes nossos pequenos irmãos. Muito pelo contrário, as Sagradas Escrituras nos recordam que é o próprio Deus quem nos forma no ventre de nossas mães, tecendo cada um dos nossos órgãos e moldando toda a nossa identidade (cf. Sl 138,13). Portanto, somos amados e queridos por Deus desde o primeiro segundo da nossa existência!

E a misericórdia de Deus nos concedeu como auxílio a própria Rainha dos Anjos. A Virgem Santíssima é, segundo a Tradição da Igreja, a grande intercessora junto de Cristo. Aliás, por ter sido a própria Mãe de Jesus, ninguém melhor do que ela para ser o auxílio do céu em favor dos nossos irmãozinhos ainda gestados.

A VIRGEM DE GUADALUPE, SENHORA E MÃE

De maneira muito especial, a Virgem de Guadalupe tem sido clamada como a intercessora dos não-nascidos – conforme se pôde verificar pela prece feita pelo Papa. Conforme bem sabido, no final do ano de 1531, a Virgem Maria apareceu no México para um indígena chamado Juan Diego, pedindo-lhe que desse alguns recados ao bispo daquela região. Como o bispo resistia em acreditar na palavra daquele pobre índio, a Santíssima Virgem resolveu conceder um sinal: mandou que Juan Diego recolhesse algumas rosas que tinham florescido no alto de um monte (apesar do rigoroso inverno) e as colocasse em seu manto, indo apresentá-las diante do bispo.

Após ser recebido na sede da diocese, Juan Diego desdobrou o manto diante do bispo e de algumas testemunhas, deixando as rosas caírem no chão. Foi este o momento do esplêndido milagre: as rosas haviam deixado gravadas sobre o manto a imagem nítida de uma mulher com feições indígenas, coberta com um manto azul e em postura de oração. É a imagem que conhecemos de Nossa Senhora de Guadalupe.

Este fato ocorreu há quase 500 anos e, embora o manto do índio fosse frágil e grosseiro, continua intacto até os dias atuais. A imagem já passou por inúmeras “provas” durante os séculos, incluindo incêndios e análises científicas, e continua a surpreender pela riqueza de símbolos e características nitidamente milagrosas. O índio Juan Diego foi canonizado em 2002. Quanto à basílica construída no México, em homenagem à Virgem de Guadalupe, é o templo mariano mais visitado do mundo.

Porém, de toda essa história surpreendente, eu gostaria de chamar a atenção para um fato bastante específico: Nossa Senhora de Guadalupe é retratada no manto como sendo uma mulher grávida. O médico mexicano Dr. Carlos Fernández de Castillo, após realizar alguns estudos aprofundados, concluiu que as dimensões do corpo de Nossa Senhora na imagem eram as mesmas de uma gestante a poucos dias de dar à luz.

Além disso, o laço que a Virgem de Guadalupe possui acima da cintura e abaixo de suas mãos era o sinal que as mulheres indígenas usavam para mostrar que estavam grávidas. Ressalte-se que a última aparição de Nossa Senhora ocorreu no dia 12 de dezembro – portanto, poucos dias antes do Natal (celebrado pela Igreja no dia 25 de dezembro).

E não é apenas isso: A própria Virgem Maria se apresentou a Juan Diego como sendo uma “mãe”. Ao vê-lo aflito com a doença grave do seu tio, Nossa Senhora vai ao encontro do índio e lhe indaga: “O que acontece, meu filhinho mais pequeno? Aonde vais?. Posteriormente, vem a frase mais bonita do discurso de Nossa Senhora: “Não temas esta doença nem nenhuma outra, não fiques aflito. Não estou eu aqui, que sou sua mãe? Você não está debaixo da minha sombra e sob o meu cuidado? Não sou eu a fonte da sua alegria?”.

A INTERCESSÃO E OS CUIDADOS DA MÃE

Não é sem razão que o céu nos apresenta a imagem da Santíssima Virgem como uma mulher grávida. É preciso que nos recordemos que a gestação de Jesus não foi assim tão simples: não havia consultas “pré-natais”, e nem carros para levar a grávida aos lugares desejados. Como se não bastasse, Maria precisou fazer uma longa viagem até Belém, sem sequer encontrar uma hospedagem que a pudesse abrigar em seu estágio avançado de gravidez.

Mesmo após dar à Luz o Filho de Deus (em meio aos animais, em um estábulo), a Santíssima Virgem não pôde respirar aliviada, uma vez que um rei louco determinou a morte de todos os recém-nascidos. Portanto, ela sabe o que é uma gravidez difícil. Nossa Senhora conhece as aflições e os medos de uma grávida. Não há ninguém melhor do que ela para interceder junto de Deus pela vida e pela saúde dos nossos irmãos pequeninos.

Diante disso, que possamos confiar todos os bebês ainda não nascidos aos cuidados da nossa Mãe do céu, especialmente aqueles que estão próximos de nós e aqueles com grave risco de não nascer. Tenhamos confiança nesta terna Senhora, que encontrou Graça diante de Deus e está incessantemente nos conseguindo graças do céu.

Virgem de Guadalupe, rogai por nós.

Rafael Aguilar Libório
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator

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