Quando você ouve a palavra castidade, possivelmente, pensa em abstinência de prazeres e de prática de atos sexuais. De maneira geral, seu raciocínio está correto, porém, reduzir o conceito de castidade à ideia de não fazer sexo é algo superficial diante da realidade que existe por detrás desse conselho evangélico.

Sim, a castidade é algo fascinante!

A vivência da castidade nos introduz na intimidade com Deus. Por meio dela somos enxertados no seio da Santíssima Trindade onde o amor flui reciprocamente entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Deus é amor e nós somos Sua imagem e semelhança, por isso, precisamos transbordar este amor a todas as pessoas. Ele nos criou para o amor, existimos para amar e sermos amados.

A castidade é algo fascinante! Através dela nos tornamos “um” com o próprio Deus, Aquele que amamos com todo o nosso coração e com todas as nossas forças.

Castidade: Algo muito além do sexo

A influência do mundo em nós leva-nos a compreender a castidade como algo negativo, como uma realidade que priva a nossa liberdade e anula a nossa sexualidade. Isso porque entendemos a sexualidade, unicamente, como aquilo que nos leva ao prazer, quando na verdade, a sexualidade é um dom de Deus. É por meio dela que nos tornamos seres relacionais, podendo nos abrir ao outro, estabelecendo comunhão.

Nosso grande modelo de castidade é o próprio Jesus. Por meio d’Ele compreendemos que ser casto é viver plenamente o dom de si e a abertura ao próximo na totalidade da nossa capacidade de amar. Cristo se doou inteiramente por nós. Ele se deu sem limites entregando-se numa cruz, nos amou até as últimas consequências. Para viver esse amor em sua plenitude,  precisamos contar com o auxílio do Espírito Santo, somente Ele nos torna capazes de imitar a pureza de Cristo. Por isso somos chamados a uma constante súplica para que o Espírito nos dê a graça de viver a castidade no seu sentido pleno, aprendendo a dominar nossas paixões, conquistando a verdadeira liberdade e dignidade às quais somos vocacionados.

A castidade e a virtude da caridade (amor)

São João Paulo II afirma que “a castidade não pode ser compreendida sem a virtude do amor” (Amor e Responsabilidade, 1982). A vivência da castidade nos ensina a tecer relacionamentos maduros e sadios, nos liberta de atitudes utilitaristas, de relacionamentos que enxergam o próximo como um objeto e só possui valor enquanto sacia a nossa necessidade de prazer. É através da castidade que tomamos consciência de que, nosso corpo e o corpo do outro, são um instrumento de amor, e mais, templos vivo de Deus, devendo ser respeitados em sua dignidade.

A castidade purifica nossas atitudes em relação ao próximo e em relação ao próprio Deus. Pela castidade somos capazes, pela graça do Espírito Santo, de vivermos o verdadeiro amor, como São Paulo descreve em sua carta aos Coríntios: “A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. Nem escandalosa. Não busca seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais acabará” (1Cor 13, 4-8).

Diante de toda essa realidade percebemos que, ao contrário daquilo que o mundo quer nos fazer acreditar, a castidade não restringe a nossa capacidade de amar, mas sim nos eleva ao verdadeiro amor; por meio dela reconhecemos o amor como nossa vocação, nos tornamos amor e transbordamos este amor de Deus aos outros.

A importância da castidade no namoro

Os noivos e namorados “são convidados a viver a castidade na continência. Nessa provação eles verão uma descoberta do respeito mútuo, uma aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem ambos da parte de Deus. Reservarão para o tempo do casamento as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade” (CIC, §2350).

O amor com que os cônjuges se comprometem diante de Deus, no dia da celebração do sacramento do matrimônio, é reflexo do amor divino, do amor ágape. É uma “entrega incondicional que alguém faz de si mesmo pelo bem da pessoa amada” (Thomas G. Morrow – O Namoro Cristão). Trata-se de uma doação de si com que o Cristo pregou e viveu. Trata-se de um amor perene (para toda a vida), exclusivo (somente para uma pessoa), público (compromisso vivido diante dos outros) e fecundo (gerar vida).

Se o amor que os cônjuges são chamados a viver é tão intenso, profundo e responsável, conclui-se o quão importante é a castidade no namoro e no noivado, pois “o sexo é um símbolo do compromisso conjugal de amor, que pode dar origem a filhos que serão concebidos e educados na estável comunidade de amor que é o matrimônio” (Thomas G. Morrow – O Namoro Cristão).

A castidade no namoro leva o casal a crescer em um relacionamento sadio, purificando-os da visão utilitarista com relação ao outro. O relacionamento sexual fora do matrimônio não é sinal de compromisso de amor, apenas ocasião para saciar uma necessidade momentânea de prazer, e passa a enxergar o outro como um objeto a ser utilizado de maneira egoísta, podendo inclusive ser “descartado”. No tempo de namoro o relacionamento deve ser no nível pessoal e não físico, gerando espaço para o diálogo, para a partilha daquilo que desejam e sonham, construindo desde então uma base sólida para um matrimônio que conduz a doação total de um para o outro.

Meios que nos ajudam a viver a castidade

A vivência da castidade exige de nós determinação e perseverança. Frei Patrício Sciadini em seu livro “A castidade: Cântico de Amor” cita alguns meios que favorecem a nossa vivência de castidade:

Um amor apaixonado à Eucaristia, momento em que celebramos a mais íntima comunhão com Cristo, amado de nossas almas, que se faz “remédio”, que nos ajuda a superar as dificuldades no nosso cotidiano. A ascese e a mortificação, que conservam a nossa castidade e nos auxiliam no domínio das nossas paixões para a verdadeira liberdade. Por fim, uma boa vida fraterna, onde criamos amizades sadias e temos a possibilidade de sermos sinais do amor de Deus para o outro.

Peçamos ao Espírito Santo a graça de vivermos a castidade em sua plenitude, e assim possamos transbordar o amor de Deus ao próximo. Supliquemos à Virgem Santíssima para que nos auxilie na busca pela pureza a fim de que a castidade não seja um peso, mas, como diz São Josemaria Escrivá “uma coroa de triunfo”.

Allan Oliveira
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator 

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