Por que pouco celebramos o dom da vida?

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Há uma cultura vigente em nossa construção social que limita a celebração do dom da vida ao nada ou a condições e datas mínimas ou únicas, como aniversários. Mas isso não ocorre por acharmos que o valor da vida é tanto que a celebração deve ser marcante e singular, ocorre justamente porque a alegria em viver caiu no esquecimento e é banalizada. Há uma incapacidade e síndrome do homem moderno em só enxergar valor nas conquistas e realizações com dimensões estratosféricas, o pequeno e sutil é difamado, é fraco.

Por essa ótica, sabendo que Deus é o Pai dos pequenos e se revela na simplicidade, não valorizar a vida na pequenez do respirar e na constância da rotina – utilizando do pleonasmo – é não enxergar e valorizar o amor d’Ele. Ele nos pensou, criou-nos e nos ama em cada detalhe, em cada pedacinho do que nos completa, tal indiferença com a vida é uma das maiores agressões que podemos causar ao Pai. A nossa indiferença e não sabermos celebrar diariamente a nossa vida, o dom que ela é, é ignorarmos o amor de Deus, é ignorar o sacrifício de Jesus na Cruz por nós. E te garanto que não é neurose da minha parte.

Humanidade apática e desacreditada da eternidade

Muito desse cenário se dá pelo vazio do homem, que não enxerga o que agradecer e celebrar. A criatura que quer ser absoluta e senhora, quer ser completa e realizada ignorando o Criador, ignorando a benção daquele que mais o ama. É ilógico reconhecer a graça que é viver sem ter o sopro da vida, por isso pouco sabemos celebrar, porque o tal do homem moderno não tem o Pai como alicerce.

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Somado a isso, a essa perda de sentido e significado, há um espectro em que prevalece um culto à morte, uma cultura de desesperança que diminui a lógica da salvação e da misericórdia de Deus. Nessa supervalorização da morte como fim, há na vida terrena o embelezamento do mal e a pureza que vem do Pai se perde, a beleza do homem é ignorada. Com a soma desses fatores, a celebração da vida é praticamente utópica.

Esperança e instrumento

Mas há o elemento que é a garantia, a chave contra a banalização: o louvor. O sopro da nossa vida que dizia anteriormente é o Espírito Santo, Ele é o que nos revigora, nos preenche e nos sustenta. O Espírito é a nossa visão para enxergar nas pequenas coisas a beleza de viver, e no silêncio e em atos sensíveis celebramos o dom da nossa vida. Louvar por respirar, por acordar, por ouvir, o louvor pelos elementos mais óbvios são os que mais agradam o coração do Pai.

Louve sempre, no óbvio e no cotidiano e louve por viver principalmente quando parecer desnecessário ou quando você não quiser, pois é a maior arma contra o inimigo e contra o embelezamento do mal.

Ana Clara Gonçalves
Engajada na Comunidade Católica Pantokrator

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