Quando entramos na mornidão espiritual

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Quem nasceu para a glória de Deus não pode se contentar com uma vida medíocre aqui na terra. A mornidão espiritual é um grande perigo para o cristão, pois se traduz em um caminho apático, voltado para si, de pouco compromisso e sem fé. “Conheço as tuas obras: Não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te”(Ap 3,15).

É uma vida com grande potencial, porém desperdiçada. Tem uma história que ilustra bem essa questão. Certa vez, um homem ganhou uma viagem em um cruzeiro. No entanto, ficou o passeio inteiro na classe econômica, sendo que tinha direito à primeira classe. Assim, acontece com a pessoa morna, Deus tem grandes graças para a vida dela, mas ela não percebe. E se percebe, não tem vigor para sair do estado de paralisia.

“Caminhamos nessa vida suspirando pela felicidade e não reparamos que ela anda ao nosso lado como Cristo na estrada de Emaús. Talvez, só no fim da vida, no fim do caminho, com os discípulos de Emaús venhamos a perceber que poderíamos ter encontrado a felicidade de Deus ao lado dos nossos passos” (Soren Kierkegaard).

Recentemente, o Papa Francisco, em uma de suas catequeses, chegou a dizer que a mornidão torna a vida do cristão um cemitério. A pessoa não avança espiritualmente e não gera os frutos necessários para a obra de Deus.

O Evangelho da Videira  e os Ramos (Jo.15, 1-8) nos dá uma pista de como a mornidão invade a nossa vida.  Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira.  A mornidão leva a pessoa a acreditar que por si só consegue caminhar, mas se o ramo não estiver enxertado na videira ele perde o vigor. Por algum tempo, ele pode até parecer vistoso, mas logo seca e morre – ” Sem mim nada podeis fazer”.

A Sagrada Escritura deixa claro que Jesus Cristo é a videira verdadeira. Se não estamos unidos à videira verdadeira, provavelmente, alguma outra coisa assumiu o lugar de Jesus em nossas vidas. Pode ser o ídolo do pecado e seus comparsas: murmuração, preguiça, desconfiança, indiferença, egoísmo, desobediência, infidelidade…

E diferente da fonte verdadeira, que nos nutre e fortalece, o ídolo é como um parasita que tira as nossas energias. Vai sugando até as experiências boas que vivemos ao longo da caminhada com  Cristo. O nosso olhar não está mais voltado para a glória de Deus, mas para as coisas passageiras. O pecado rompe a intimidade com Deus.

Deus tem desígnios de prosperidade para nós, mais do que qualquer outra pessoa, Ele deseja que saíamos desse estado de tibieza. Ele quer nos ajudar!

Como vencer a mornidão?

  • O primeiro o passo é reconhecer que precisa de ajuda, que sozinho não consegue. “Resisti ao demônio, e ele fugirá para longe de vós. Aproximai-vos de Deus, e ele se aproximará de vós!” (Tg 4, 7-8).
  • Busca dos sacramentos como fonte de cura e intimidade com Deus. Quanto tempo faz que você não se confessa? Esta é a hora!  Faça um bom exame de consciência e retorne à vida de graça.
  • Vida de Oração. Precisamos estar perto do fogo da Palavra, do fogo do terço, do fogo da adoração e do jejum.
  • Romper com o pecado, não abrir concessões. “Foge do pecado como se foge de uma serpente, porque, se dela te aproximares, ela te morderá. Os seus dentes são dentes de leão, que matam as almas dos homens” (Ecle.21, 2-3).
  • É necessário permanecer em Deus, e deixar que o fogo ardente do Espírito Santo reavive a chama da fé, concedendo a força para combater o bom combate. “Por esse motivo, eu te exorto a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de sabedoria” (II Tm. 1, 6-7).

Andressa Aparecida da Silva
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator 

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