Você é livre?

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Você é livre em Deus? “A liberdade é no homem, uma força de crescimento e amadurecimento na verdade e na bondade” (Catecismo da Igreja Católica, 1731). A liberdade também está ligada à intimidade. Quanto mais eu sou íntimo de uma pessoa, mais sou livre nesse relacionamento. Com Deus não é diferente: quanto mais alimento a vida de oração e a intimidade com Ele, mais sou livre para aderir a Seus planos e trilhar o caminho da santidade.

Santo Agostinho vai dizer: “Que eu Te conheça, ó conhecedor meu! Que eu também Te conheça como sou conhecido! Tu, ó força de minha alma, entra dentro dela, ajusta-a a Ti, para a teres e possuíres sem mancha nem ruga”.

Essa liberdade passa pela experiência daquele que encontrou a pérola preciosa e, com alegria, vendeu tudo para comprá-la. Ser livre é descobrir o bem mais precioso que é Deus e por Ele ser capaz de dar tudo.

“A liberdade alcança sua perfeição quando está ordenada para Deus, nossa bem-aventurança. Enquanto não tiver fixado definitivamente em seu bem último, que é Deus, a liberdade comporta a possibilidade de escolher entre o bem e o mal, portanto, de crescer em perfeição ou de definhar e pecar” (Catecismo, 1731).

Tobit foi livre em Deus

As Sagradas Escrituras revelam histórias de homens e mulheres que cresceram nessa liberdade. É o exemplo de Tobit. A Palavra de Deus diz que ele tinha uma vida exemplar. A sua história é contada no livro de Tobias; são 14 capítulos de tirar o fôlego. Acompanhando a narrativa, vamos contemplando: o temor de Deus, a oferta de vida, a fidelidade em meio às tribulações, o poder da oração e a intervenção divina. E falando assim, ainda é muito pouco, diante de tudo que ele viveu e também diante de tudo o que Deus fez.

Desde jovem, enquanto os outros iam adorar os bezerros de ouro, Tobit fugia para o Templo para adorar ao Senhor, oferecendo fielmente o seu dízimo. Sua liberdade tinha um destino certo, o Deus de Israel. Pare um pouco para pensar: quais são os bezerros de ouro do tempo moderno? O que tem roubado o seu tempo e sua intimidade com Deus?

A falta de intimidade nos leva a criar uma imagem distorcida de Deus. Um Deus distante, carrasco, que apenas quer nos cercear. Essa ilusão, primeiramente, causa um travamento. Confiamos a nossa vida a Deus, mas com reservas. E aos poucos, vamos ficando distante do porto seguro.

A medida do amor

A fidelidade de Tobit foi se traduzindo em generosidade: “Alimentava os famintos, vestia os nus e, com uma solicitude toda particular, sepultava os defuntos” (Tb 1,20). Mesmo com o perigo de perder a própria vida não deixava de levar dignidade aos que sofriam. Quantas vezes, ele interrompia a refeição e saía para enterrar os corpos!

Diariamente, somos cutucados por Deus, seja no afazer doméstico, seja no escritório, ou mesmo no relacionamento com o próximo! Deus nos convida a ir além daquilo que nós já fazemos, a quebrar os nossos esquemas e abraçar o esquema d’Ele, como diz Santo Agostinho: “A medida do amor é amar sem medidas”.

A liberdade na provação

E a história de Tobit toma um novo rumo, ele é provado e fica cego. Parentes e amigos começam a escarnecer dele, não escapa nem das palavras da própria mulher. Mas em nenhum momento ele se rebelou contra Deus. “Como havia sempre temido a Deus, desde a sua infância e guardado seus mandamentos, ele não se afligiu (nem murmurou) contra Deus por ter sido atingido pela cegueira. Mas perseverou firme no temor de Deus e continuou a dar-lhe graças em todos os dias de sua vida” (Tb 2,13-14).

Que testemunho! Como ele era livre! Vemos dois pontos importantes ligados à liberdade: a confiança e a perseverança. Parece que, diante das tribulações, dificuldades, desafios… a nossa confiança vai enfraquecendo; queremos desistir de tudo, esquecemos que temos um Deus que é por nós!

Não podemos escutar a voz da tentação. E nesse ponto, não tenho dúvidas, o que detona a nossa confiança é a murmuração: proclamamos a desgraça para nós mesmos. Já, o que nos faz permanecer de pé é o louvor.

Santo Agostinho novamente nos ensina: “Quereis cantar louvores a Deus? Sede vós mesmos o canto que ides cantar. Vós sereis o seu maior louvor, se viverdes santamente”. Precisamos clamar o Espírito Santo, para que Ele faça crescer em nós as virtudes e nos dê a força necessária para permanecermos firmes, custe o que custar.

A importância da oração

No auge do sofrimento, Tobit colocou-se em oração e fez uma prece, daquelas que saem do mais profundo da alma. Louvou a Deus e reconheceu a sua indignidade, entregando a própria vida ao Senhor. Em lugar distante dali, sua futura nora, Sara, também orava a Deus para que a libertasse de um demônio que matava os seus pretendentes: “Mas todo aquele que vos honra tem a certeza de que sua vida, se for provada, será coroada; que depois da tribulação haverá a libertação e que, se houver castigo, haverá também acesso à vossa misericórdia. Porque vós não vos comprazeis em nossa perda: após a tempestade, mandais a bonança; depois das lágrimas e dos gemidos, derramais a alegria. Ó Deus de Israel, que o vosso nome seja eternamente bendito!”. Essas duas orações foram ouvidas ao mesmo tempo, diante da glória do Deus Altíssimo; e um santo anjo do Senhor, Rafael, foi enviado para curar Tobit e Sara, cujas preces tinham sido simultaneamente dirigidas ao Senhor”(Tb 3,21-24).

Como é maravilhosa essa oração! Deus quer o nosso bem sempre! E vemos que Ele tinha planos muito melhores para Tobit e Sara: um anjo foi enviado para curar Sara e ela se tornou esposa de Tobias, filho de Tobit, e a este Deus restitui a visão.

Ser livre em Deus é saber que Ele nos deseja e nos conduz pelo caminho. Nada nos falta.

Andressa Aparecida da Silva
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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