Deus: centro de nossas vidas

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Centro

Os prédios e as construções mais bonitos são, sem dúvida, aqueles que apresentam uma ótima simetria. Por outro lado, os edifícios mais feios (e menos confiáveis) são aqueles construídos sem harmonia, sem equilíbrio… sem um centro. Procure observar um dia algum pedreiro levantando as paredes de uma casa: é impossível não repararmos o cuidado com as medidas, a fim de se certificar de que toda a construção está ficando nivelada.

Porém, o bom pedreiro é aquele que não confia no próprio cálculo. Para ter certeza de que o seu trabalho está sendo desempenhado corretamente, ele se utiliza de um aparelho chamado prumo de centro – que é um equipamento empregado para posicionar os elementos de uma construção, ajudando no assentamento das paredes. Resumindo: o prumo de centro é essencial para que as medidas fiquem harmônicas e proporcionais.

Se o profissional não estiver atento, não analisar seu trabalho e não tomar nota de todo o processo, é bem possível que ao fim de tudo o resultado não seja nada satisfatório. Imagine que desastre seria o pedreiro entregar um trabalho desalinhado, visivelmente feio e ainda por cima com sérios riscos de ruir!

Meus queridos leitores, não se enganem: este não é um texto sobre construção civil (até porque eu não entendo quase nada do assunto…). Este é um texto sobre o nosso coração; sobre os desalinhamentos da nossa alma; sobre a necessidade que nós temos de cuidar bem dos nossos muros.

Afinal, nós somos os pedreiros de nossas próprias vidas. Nossa empreitada se iniciou no batismo, e o grande objetivo é construirmos uma casa digna e bela que possa servir de morada para o nosso Senhor. Nesta construção, cada um dos tijolos tem a sua importância: sejam eles os tijolos dos amigos, dos familiares, dos desejos, da sexualidade, da afetividade, da vida profissional, etc.

Com tantas paredes sendo levantadas ao mesmo tempo, precisamos ter a certeza de que todas estão niveladas na medida correta, para não corrermos o risco de o telhado desabar sobre as nossas cabeças. Diante disso, precisamos fazer como os pedreiros experientes e não confiar nas nossas próprias medidas: precisamos de um instrumento seguro; precisamos de um verdadeiro “prumo de centro”.

Como anda nossa construção?

Nosso Senhor não quer ser convidado a entrar na nossa casa apenas depois de terminada a obra. Muito pelo contrário, Ele quer se juntar a nós nessa construção. Jesus nos lembra claramente desta realidade: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa” (Ap 3, 20).

O arquiteto das almas quer fazer parte de todo o processo. Ele quer saber quais são os nossos desejos, nossas preferências, nossas manias…

Nós, pedreiros inexperientes nessa construção que é a vida, precisamos irremediavelmente da ajuda do arquiteto do céu. Precisamos do Senhor para nivelar nossas paredes a fim de que elas não estejam destoantes em tamanho, tortas por falta de centralidade, e o que é pior: correndo sempre o risco de ruir.

O Senhor é “prumo de centro” de nossas vidas

Vimos, portanto, que para conseguir fixar um telhado sobre as paredes, é imprescindível que elas estejam todas com os mesmos tamanhos e perfeitamente niveladas. Assim, para que consigamos construir uma bela casa, precisamos do auxílio de Deus.

Deus é o centro de nossas vidas! É Ele quem vem nivelar as paredes (às vezes tão tortas) da nossa morada interior. Ele vem deixá-las todas do mesmo tamanho, vem dar sustentação, deixá-las equilibradas e harmônicas.

Mas, para isso, precisamos convidá-Lo, não apenas como uma mera visita… Não! Precisamos deixar que Ele tome à frente dessa obra que é nossa pobre vida. Não existe um arquiteto mais perfeito e mais rico em misericórdia. Não existe ninguém mais que consiga transformar um simples barraco em uma grande e majestosa mansão.

Não se engane:  enquanto nosso coração estiver aberto, jamais estaremos construindo sozinhos. Temos uma promessa linda retirada do livro de Isaías, e que tem tudo a ver com o nosso tema: “Eis que estás gravado na palma de minhas mãos, tenho sempre sob os olhos as tuas muralhas!” (Is 49, 16).

Que não tenhamos medo de deixá-Lo tomar à frente dessa construção tão trabalhosa… que não tenhamos medo de deixá-Lo arrumar as paredes tortas da nossa vida, nivelando-as de acordo com as medidas do céu.

Deus o abençoe!

 

Angélica Baruchi Libório
Discípula da Comunidade Católica Pantokrator

 

 

 

 

 

 

 

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