Deus nos espera, está a nossa procura, não descansa até nos encontrar

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Se Deus nos procura e não descansa até nos encontrar é porque estamos escondidos Dele! Mas como nos esconder de Deus se Ele é Onipresente? Pois bem, há em nós um espaço de liberdade criado por Deus que Ele respeita. E é justamente onde, nessa liberdade, podemos esconder o nosso coração. E o que há escondido em nós? O que é preciso encontrar? Muitas vezes está tão escondido que nem mesmo nós conseguimos nomear e corremos o risco de nos escondermos de nós mesmos.

Depois do pecado, Adão e Eva “tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para si. E eis que ouviram o barulho (dos passos) do Senhor Deus que passeava no jardim, à hora da brisa da tarde. O homem e sua mulher esconderam-se da face do Senhor Deus, no meio das árvores do jardim. Mas o Senhor Deus chamou o homem, e disse-lhe: `Onde estás?’” Gn 3,7-9

Queremos sempre mostrar algo bonito. No entanto, o que geralmente escondemos não é algo bonito, porém, Deus não tem medo das nossas feiuras, dos nossos pecados nem das nossas misérias e imperfeições. Ele quer nos encontrar assim mesmo e nos chama: “Onde estás?” Adão e Eva, escondendo-se de Deus em justificativas, acabaram-se escondendo deles mesmos, da razão de suas existências, da felicidade eterna no Paraíso que Deus havia criado.

Em outra passagem bem conhecida, Jesus diz: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo 14,6) Pois bem, se Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida e nos escondemos Dele, acabamos por nos perder na confusão da morte. Por isso Ele nos chama. Nos chama para o Caminho correto, a Verdade única e a Vida eterna. Então, ao nos escondermos, quem perde? Quais as consequências das nossas “moitas”?

Deixar-se encontrar

A resposta nos vem por uma parábola contada por Jesus em Lc 15, 11-32, onde um homem tinha dois filhos e atendendo ao pedido de seu filho caçula, repartiu sua herança e experimentou sua ausência: “partiu o filho mais moço para um país muito distante e lá dissipou sua fortuna, vivendo dissolutamente.” E que vida teve ele escondendo-se de seu pai? A tal situação chegou que “desejava fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.” Caiu em si e, arrependido, decidiu voltar (se expor ao pai) e com que surpresa pode perceber que aquele pai já o esperava! “Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.”

Nessa parábola, Jesus narra como Deus espera nos encontrar. Não para nos culpar de tudo o que fizemos, e sim,  para nos acolher em Sua imensa misericórdia! Ele festeja nossa volta! Interessante que, nessa ocasião, também é exposto o esconderijo do filho mais velho, que apesar de estar na casa do pai, seu coração estava escondido dele. Ele também é convidado para a festa. Não importa de que forma tecemos nossas folhas de figueira e nos amoitamos no jardim, importa é o Coração de Deus que ansioso espera nos encontrar. Precisamos nos deixar encontrar, nos expor a Ele com nossa liberdade, para recebermos todo bem que Ele quer nos dar. Expor-nos, não como Adão cheio de justificativas e sem arrependimento, mas como aquele filho que, ciente de sua indignidade diante do pai, decide confessar seu pecado esperando não mais que ser “tratado como um empregado”, no entanto, é recebido com “anel no dedo, a melhor veste, calçados nos pés e festa.”

Deixar-se encontrar por Deus é gesto de sabedoria, reconhecimento, confiança e amor, pois se aquele filho não tivesse se levantado e voltado, teria morrido no exílio de seu coração, exílio que ele mesmo se havia colocado, ocultando-se da face do pai. Talvez, se Adão tivesse se arrependido humildemente e pedido perdão a Deus ao invés de se justificar culpando Eva, nossa história teria sido diferente…

Quem sabe se, ouvindo a voz de Deus que nos chama: “Onde estás?” e nos expondo a Ele com humildade, ao invés de nos justificarmos, nossa história também daqui pra frente, possa ser diferente!

Rosana Vitachi
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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