“Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus”(Jo 14,1)

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Como anda o seu coração? Nas conversas cotidianas por aí, essa pergunta costuma soar bem romântica, porém, aqui refletiremos sobre vida de fé. Diante de tudo o que vivemos, ouvimos, lemos, pensamos, tememos, sofremos, nos alegramos, como têm estado os nossos corações?

Coração – definições

O coração do homem consiste no seu centro, no seu âmago, em todo o seu ser. O coração simboliza o núcleo do nosso ser. É do coração que nascem os desejos e as decisões. Também é aí que se desenvolvem nossa índole e nosso caráter.

“O termo do latim “cor ou cordis” traduz-se por “coração”, como sede, centro da alma, da inteligência e da sensibilidade” (Dicionário Houaiss).

O coração é a morada onde estou, onde habito (e segundo a expressão semítica ou bíblica, aonde eu «desço»). É o nosso centro oculto, inapreensível, quer para a nossa razão quer para a dos outros: só o Espírito de Deus é que o pode sondar e conhecer. E o lugar da decisão, no mais profundo das nossas tendências psíquicas. É a sede da verdade, onde escolhemos a vida ou a morte. É o lugar do encontro, já que, à imagem de Deus, vivemos em relação: é o lugar da aliança” (Catecismo da Igreja Católica 2563).

“Pois onde está o teu tesouro, lá também estará o teu coração” (Mt 6,21).

Há também uma definição de coração como conjunto de sentimentos (Dicionário Priberam). Temos em nós tantos sentimentos diferentes, não é? Muitas vezes, variam muito, indo até de um extremo ao outro em um único dia! São tão volúveis, instáveis, inconstantes… Não podemos permanecer à deriva das ondas das nossas emoções, sentimentos e medos; nem mergulhados nas palavras que ouvimos e nos pensamentos que agitam nosso interior. Não podemos permitir que os sentimentos perturbem nossos corações e nos tirem do “eixo”.

Quando vivemos centrados em nossas emoções e sentimentos nos tornamos vulneráveis e inconstantes, facilmente, nossos corações se agitam e perdem a paz. Precisamos focar nossas vidas e corações em Deus! Para que nossos corações permaneçam em paz e não se perturbem é necessário viver pela fé, caminhar sobre o mar, ter Cristo como centro. Porque nos fizeste para Ti e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Ti (Santo Agostinho).

Vivendo o Senhorio de Cristo em nossas vidas nos tornamos senhores também de nossas emoções e sentimentos, de tudo aquilo que nos agita interiormente. Passamos, então, a dominá-los, através da graça de Deus, e não mais sermos dominados e subjugados por eles.

Oração – Encontro do coração humano com o Coração Divino

“De onde procede a oração do homem? Seja qual for a linguagem da oração (gestos e palavras), é o homem todo que ora. Mas para designar o lugar de onde brota a oração, as Escrituras falam às vezes da alma ou do espírito ou, com mais frequência, do coração (mais de mil vezes). É o coração que ora. Se ele estiver longe de Deus, a expressão da oração será vã”(Catecismo da Igreja Católica 2562).

Não conseguiremos conquistar essa paz e habitarmos nela pelo nosso próprio esforço. Alcançaremos a paz que nossos corações anseiam no dia a dia da vida de oração. Nos nossos momentos diários de encontro com Deus, serão semeadas, germinadas, brotadas e cultivadas em nossos corações as sementes de Fé e de Paz.

Mantendo-nos na presença de Cristo, ainda que não estejamos no nosso momento de oração propriamente dito, colheremos os frutos dele, conseguiremos habitar nessa Paz e nada será capaz de perturbar nossos corações.

“O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso:

«A razão mais sublime da dignidade humana consiste na sua vocação à comunhão com Deus. Desde o começo da sua existência, o homem é convidado a dialogar com Deus: pois se existe, é só porque, criado por Deus por amor, é por Ele, e por amor, constantemente conservado: nem pode viver plenamente segundo a verdade, se não reconhecer livremente esse amor e não se entregar ao seu Criador»”(Catecismo da Igreja Católica 27).

Rezemos com Santa Teresa de Jesus:

“Nada te perturbe, nada te amedronte.
Tudo passa, a paciência tudo alcança.
A quem tem Deus nada falta.
Só Deus basta”.

Que Deus nos abençoe!

Adriane Luz
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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