O abandono da Cruz

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Jesus exclamou na Cruz seu grito de abandono, o Cordeiro santo de Deus estava sentindo o peso dos nossos pecados. Exposto e rendido no auge de Sua dor, Jesus chora por sentir-se abandonado pelo Pai. Este é um movimento de um coração humano que se vê frágil e vulnerável. A resposta do nosso Senhor a esse abandono é abandonar-se na vontade de Deus.

Um coração humano que já experimentou a dor de um abandono sabe de que lugar esse grito veio do coração de Jesus. Podemos ter sido abandonados por nossos pais ou nos sentido negligenciados, seja qual for a sua situação, a questão é que a rejeição e o abandono causam uma ferida profunda em nossa alma, porém a nossa resposta é nos fecharmos em nossas desconfianças. Para impedir que os outros vejam nossas fragilidades nos cobrimos de orgulhos e nos enfeitamos de vaidades, e rejeitamos a dependência natural que sentimos para com o amor de Deus.

Esse lugar ferido na alma contamina todo o resto e deixa sua mácula em tudo que faz. Nós vamos nos tornar homens e mulheres endurecidos e chatos, que não permitem que Deus nos toque com Sua transcendência e com a Sua verdade, de tal forma que caricaturas de nós mesmos são criadas. Assim, moldamo-nos ao olhar do outro para não precisarmos mais passar por uma situação de abandono e nós nos rejeitamos para buscar no outro uma aprovação ao nosso ser. Em resumo: nós nos tornamos escravos.

Em Isaías 49, 15 podemos ver uma resposta de Deus a nós: “Pode a mãe esquecer do seu filho, não ter ternura pelo que amamenta e mesmo que ela se esquecesse, Eu não te esquecerei”. Aqui está a prova de que Deus nunca irá nos abandonar, Ele tem nossas vidas diante dos seus olhos e como diz o profeta mais adiante “seu nome está na palma de minhas mãos”. Ele nos tem para si! Podem todos nos abandonar, pois assim conheceremos o Deus que não nos abandona.

Podem os homens cometerem injustiças e atrocidades conosco, assim como fizemos com o próprio Cristo, mas Ele jamais se esquecerá do nosso sacrifício e da nossa dor. Vejam a resposta de Jesus: Ele confiou que o Pai tinha um plano maior, Ele confiou que o Pai o tinha sob seus olhos e, assim, Jesus pôde ser livre para gritar também “Pai, em vossas mãos eu entrego o meu espirito”. E foi nessa entrega de amor que Deus glorificou Seu nome no Filho, colocou Seu nome muito acima de todo nome.

Todavia, a redenção e libertação dos nossos corações abandonados só irão acontecer se, juntos com Cristo, tocarmos nossas fragilidades e vulnerabilidades. Devemos estar escondidos no coração de Jesus e nos deixarmos ser encontrados pelo Pai que não tira os olhos de nós. É nesse lugar ferido que Deus fará brotar uma fonte de água viva, lugar de amor e entrega fecunda assim como o Senhor na Cruz.

Juntos até o céu!

Tayná Barbosa
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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