O MENOR DOS IRMÃOS DE JESUS É O EMBRIÃO

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embrião

Poucos temas da atualidade são tão polêmicos como aqueles envolvendo o embrião humano. De acordo com a ciência, “embrião” é como chamamos o bebê no início da sua existência, desde a concepção até a sua 9ª semana de vida. Da nona semana até o nascimento (que costuma ocorrer por volta da 40ª semana), o bebê passa a ser chamado de “feto”.

Todo ser humano possui, em sua carga genética, 46 cromossomos. De fato, no momento da concepção – ou seja, quando a vida humana passa a existir – ocorre a maravilhosa junção entre 23 cromossomos do pai e 23 cromossomos da mãe. A partir desta união extraordinária, forma-se um ser completamente original e irrepetível. Não se trata mais de um componente do corpo da mãe; ao contrário, já é uma pessoa com DNA próprio e características únicas!

Muitos devotos costumam dizer – e eu, particularmente, concordo com esta afirmação – que o útero materno é um lugar tão sagrado, que o próprio Deus coloca a sua mão no momento da concepção de uma nova vida. Não se trata de uma simples “geração natural de um corpo”. Nós, que cremos nos ensinamentos da Santa Igreja Católica, sabemos que ali passa a existir uma alma imortal e vocacionada a ser filha do Altíssimo.

Desde o seu primeiro instante de vida, o embrião inicia um processo acelerado de desenvolvimento. Se no início ocorreu a união de duas pequenas células, ao final da quarta semana de gestação já existem milhões delas. Não se trata de uma “pessoa em potencial” (algo que “pode se tornar” alguém), e sim de um ser humano íntegro, vivo e insubstituível.

A predileção de Deus pelos pequenos

No evangelho de São Mateus (capítulo 25, versículos 31 a 45), Jesus nos conta aquela famosa parábola das obras de misericórdia corporais. Resumidamente, o Mestre diz que, quando chegar o fim dos tempos, Ele se sentará no trono glorioso e passará a julgar todos os povos. O critério de julgamento será a forma como as pessoas trataram Jesus no decorrer de sua vida.

Para aqueles que forem salvos, Jesus dirá: “Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim”.

Os justos, então, perguntarão ao Senhor: “Quando foi que te vimos assim e te servimos?”. E o Rei responderá: “Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes”.

A explicação dada pelo Cristo é espetacular! Isto significa que o Senhor se compadece daqueles que, de alguma maneira, estão em situação difícil, de vulnerabilidade e tristeza. Mais do que isso: Deus se identifica com essas pessoas e promete uma recompensa àqueles que os servirem de alguma forma.

Basta meditar sobre a vida do próprio Cristo: Ele nasceu pobre em Belém e, provavelmente, teve falta de alimento e água em algum momento. Ele foi peregrino no Egito quando era pequeno e o rei Herodes mandou exterminar as crianças. Ele foi despido de suas vestes no momento da crucificação. Ele esteve injustamente na prisão, quando Judas o traiu e o entregou aos sumos sacerdotes. Jesus sabe na própria pele o que é o sofrimento humano!

O embrião é, literalmente, o menor entre os menores

Feita esta reflexão, chegamos naturalmente à conclusão de que o Senhor possui um carinho mais do que especial por aqueles irmãos mais vulneráveis: aqueles que ainda estão na barriga de suas mamães.

Todos sabem que os três primeiros meses de gestação costumam ser os mais difíceis, uma vez que o embrião é bastante vulnerável a agentes físicos e químicos que podem causar malformações e até a morte do bebê. É o momento em que as mamães costumam ficar mais apreensivas e necessitam de bastante ajuda espiritual (através das nossas orações).

As Escrituras estão repletas de referências a estes pequenos amados. Deus afirmou ao profeta Jeremias que sua vocação já existia antes do nascimento: “Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações” (Jr 1, 5). Já o Rei Davi, em um dos salmos mais lindos da Bíblia, afirma em sua oração: “Foste tu que criaste minhas entranhas e me teceste no seio de minha mãe” (Sl 138, 13).

Em outro salmo magnífico, também podemos ler: “Desde o seio materno sois meu protetor. Em vós eu sempre esperei” (Sl 70, 6). Nosso Senhor Jesus Cristo – que também já foi um pequeno embrião – certamente possui grande carinho por esses bebezinhos em gestação. Aliás, vale lembrar que o sangue divino derramado na cruz também se direcionava à salvação destes pequeninos.

Devemos agir como irmãos mais velhos

Curiosamente, o pequeno embrião – que não sabe ainda falar e nunca fez mal a ninguém – tem sido alvo de furiosos ataques por parte de grupos ideológicos. De fato, é compreensível que o inimigo, na ânsia de desferir seu ódio a Deus, passe a atacar os Seus filhos mais vulneráveis.

A propaganda do aborto tem sido alardeada por todos os meios de comunicação, sempre com nomes sutis e aparentemente positivos: “Questão de saúde pública”; “Direitos reprodutivos da mulher”; “Meu corpo, minhas regras”; e outros slogans fabricados com a intenção de comover a opinião pública.

A Igreja Católica, desde sempre, se colocou como defensora da vida em todas as circunstâncias. O parágrafo 2274 do Catecismo fala expressamente da figura do embrião: “Uma vez que deve ser tratado como pessoa desde a concepção, o embrião terá de ser defendido na sua integridade, tratado e curado, na medida do possível, como qualquer outro ser humano”.

Isto significa que nós, enquanto filhos da Igreja, temos por obrigação defender estes irmãos pequeninos em todas as circunstâncias, principalmente nestes momentos em que eles têm sido tão atacados. O embrião ainda não pode usar sua voz para gritar, nem seus braços para afastar um objeto invasor. Mas nós podemos (e devemos) usar todos os meios necessários para a defesa incondicional da vida, conforme é vontade do nosso Criador.

Que a Virgem Santíssima, intercessora dos não-nascidos, nos dê coragem e ousadia para a defesa dos nossos irmãos mais vulneráveis.

Rafael Aguilar Libório
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator

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