Quanto mais damos em alegria, mais temos alegria em dar.

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Responda rápido! O que você prefere: dar ou receber um presente? Caso você, assim como eu, ama ganhar um presente, uma lembrancinha ou um mimo, saiba que é possível encontrar uma satisfação ainda maior, ou seja, podemos encontrar mais alegria em dar do que em receber.

Dar algo a alguém significa que deixo de ter ou cedo, disponibilizo alguma coisa que é minha, a outro. Esta “alguma coisa” pode ser algo material ou não, como o tempo, a atenção, o afeto etc. E o mais importante é que este dar, necessariamente, precisa ser sem esperar algo em troca ou qualquer tipo de retorno. Precisa ser uma via de mão única, onde se deve sair de si, buscando o outro e nada mais.

Alegria em dar, é possível?

Vivemos em tempos em que se privilegiam as aquisições e os patrimônios como sinônimo de sucesso, de crescimento pessoal. Dando a ideia de que quanto mais se tem, melhor se é. Neste sentido, falar em se dispor de algo sem que se vislumbre algo em troca e ainda por cima, encontrar alegria nisso, parece coisa de louco. A não ser que seja algo que me sobra.

Assim como o egoísmo, a falsa modéstia é igualmente perigosa. O que isso significa? Podemos nos enganar acreditando que vivemos o desprendimento quando damos aquilo que nos sobra, que no fundo não me fará tanta falta. Ou quando me disponibilizo a fazer alguma coisa e acabo vivendo tudo na murmuração, como se carregasse um fardo. Esse sentimento, nos afasta do sentido real da doação.

Quando não somos capazes de encontrar alegria em dar, entramos em um movimento que é a contramão daquilo que fomos criados a ser. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus, que é um derramar abundante de Si sobre a humanidade.

Ao contrário do que se pensa, aquele que retém ou que só encontra alegria ao receber não consegue encontrar paz, descanso ou felicidade. Isto porque vive em uma constante espera do que lhe é exterior, se satisfaz com pequenos prazeres momentâneos e se torna dependente de outro que o satisfaça. Vive inquieto porque não consegue encontrar em si a verdadeira alegria.

De onde vem essa alegria?

O próprio Cristo nos ensina que “Há maior alegria em dar do que receber” (Atos 20,35). No tempo que passou na Terra, Jesus nos mostrou como, incansavelmente, é possível se dar. Ele deu Seu tempo, Seus ensinamentos, Sua sabedoria, distribuiu curas e milagres até o ápice, o apogeu que foi dar a própria vida.

É possível vislumbrar um momento muito marcante de Sua Paixão, através do filme dirigido por Mel Gibson, em que já muito ferido e em meio ao sofrimento, Jesus encontra Nossa Senhora e diz: “Vê, faço nova todas as coisas” e embora já desfigurado, é como se Ele tentasse sorrir. Ali, é possível ver que somos chamados, mesmo em meio ao cansaço, às dores e ao sofrimento, a encontrar a alegria, a paz e a comunhão ao se dar.

O mais impressionante é que este ato só aumenta, esse movimento só faz crescer. Não tem limite, quanto mais damos com alegria, mais encontramos alegria em dar.

Que possamos, a partir da imitação de Cristo, nos revestir de humildade e caridade. Que sustentados pela fé, como resultado de uma oração contínua, busquemos vencer o egoísmo para assim encontrar a verdadeira alegria.

Vanessa Cícera S. Ramos
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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