Você defende a sua fé?

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Você, certamente, já deve ter ouvido centenas de ataques ou piadas direcionadas à sua fé. Isso não é nenhuma surpresa se considerarmos que a fé católica se tornou a inimiga número um do mundo pós-moderno. No entanto, como você costuma reagir diante disso? Você é um daqueles que empunham a “espada da justiça” e parte para cima dos inimigos? Ou costuma ser daqueles que preferem evitar os desgastes fazendo o possível para mudar de assunto? Afinal, será que existe uma maneira correta de defender a própria fé?

Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que todos os católicos são chamados a serem defensores da sua fé. Muitos se espantarão com essa afirmação e se defenderão dizendo que não possuem o “dom” para essas coisas. Mas calma… De fato, nem todos são chamados a ser como um São Bernardo ou um Santo Tomás de Aquino – o que, realmente, é motivo de alívio para todos nós. Porém, quando tratamos da defesa da fé, não pense apenas nas grandes discussões teológicas ou nos polêmicos debates sobre eclesiologia.

Vamos usar um exemplo clássico. Quando Jesus subiu aos céus, após a ressurreição, Ele não deixou grandes mestres ou teólogos para defenderem a Igreja (que estava só no começo). O grande “time” deixado por Cristo era composto por homens simples, a maior parte pescadores que não possuíam muitos recursos ou conhecimentos acadêmicos. E veja só como estamos dois mil anos depois: aquela fé, defendida por homens tão limitados, ainda está em pé e foi abraçada por bilhões de pessoas!

O que devo fazer, então, para ser um “Defensor da Fé”?

O mais essencial para ser um verdadeiro defensor da fé é vivê-la com sinceridade e amor. São incontáveis os exemplos de pessoas que se converteram por causa do exemplo de cristãos honestos. Além disso, a maior parte das críticas que a Igreja recebe diz respeito à má-vivência de muitos dos nossos irmãos. Não é raro ouvir coisas como: “Ir à Igreja por que se a minha vizinha não sai de lá e vive falando mal dos outros…”.

Tão importante quanto uma boa vivência, é a virtude da caridade. Não podemos enxergar a defesa da fé como uma disputa em que o outro sai derrotado. Muito pelo contrário, o nosso foco é justamente o bem e a salvação do outro! Não discutimos para “ter razão” como ocorre nos debates sobre futebol ou nas argumentações sobre política. Nossa discussão deve ter sempre uma finalidade específica: a conversão das pessoas.

Esse é um ponto imprescindível e que merece atenção. Nem sempre as pessoas atacarão a Igreja por maldade ou por simples deboche. Em muitos casos, os detratores julgarão estar sendo justos e até pensarão que estão agradando a Deus. A razão disso se chama ignorância, e isso só é vencido através do conhecimento e da paciência. Às vezes, o católico até destrói o argumento do “adversário”, mas faz com tanta indelicadeza que o outro, apesar de vencido, só fica com mais raiva ainda da Igreja.

Sede da verdade

Um requisito fundamental para a verdadeira defesa da fé é o desejo por conhecer as coisas de Deus. Santo Agostinho ressalta que “Só se ama o que se conhece”. Isso não significa, evidentemente, que a pessoa precise fazer um mestrado em teologia para chegar à santidade. Esse “conhecimento” a que eu me refiro é um conhecimento de experiência. Ora, se eu amo o meu Senhor, farei o possível para não O ofender (e, portanto, precisarei conhecer os mandamentos). Se eu amo a minha Igreja, vou querer me submeter às verdades reveladas (e, portanto, precisarei conhecer os dogmas).

Basta utilizarmos outro exemplo para uma maior compreensão: se alguém começa a fazer acusações sérias contra a sua família, você estará mais preparado para defendê-la se possuir um conhecimento maior sobre cada membro e cada situação.

Algumas advertências importantes

Apesar dos “requisitos” listados acima, é pertinente ressaltar que não é em todas as situações que deveremos nos manifestar. Sobre isso, Jesus nos dá um ensinamento fundamental: “Não lanceis aos cães as coisas santas, não atireis aos porcos as vossas pérolas, para que não as calquem com os seus pés, e, voltando-se contra vós, vos despedacem” (Mt 7,6).

Há determinadas circunstâncias em que a defesa da fé não alcançará nenhum objetivo positivo; aliás, é mais provável que a fé e o cristão sejam expostos ao ridículo, o que aumentará ainda mais o pecado dos zombadores. Um exemplo possível é o do estudante, que se encontra diante de um ataque promovido pelo professor e os colegas. Dependendo da situação, o estudante cristão se tornará objeto de escárnio dos demais, caso resolva mostrar uma discordância pública daquela posição errada.

Outro cuidado importante que todos devemos observar é o respeito pelas autoridades constituídas. Pode ser que, em algumas ocasiões, o ataque contra a fé venha de dentro da própria Igreja – o que é motivo de muito sofrimento para o Corpo Místico de Cristo. Não é difícil encontrar por aí cristãos atacando o próprio bispo ou pároco por conta de alguma dissensão religiosa. No entanto, não se defende a Mãe atacando a própria Mãe. Por vezes, essas divisões internas podem constituir um escândalo grave aos olhos dos outros, o que só prejudicará a Igreja. Em muitos destes casos, a nossa melhor contribuição é a oração pelo clero e pelos fiéis.

Por fim, é preciso cuidar para não cairmos nunca na desesperança. É normal que, algumas vezes, a tempestade pareça grande demais, e que as águas se lancem com violência contra a Barca de Pedro. É normal, também, que Jesus pareça estar “dormindo”, contudo, não podemos perder de vista que o Senhor é Poderoso e que pode mandar calar as tempestades com Sua voz (cf. Mc 4, 35-41).

Testemunhar a fé

Temos a garantia de que as portas do inferno jamais vencerão a Santa Igreja. Portanto, por maior que sejam as crises e os ataques, valerá sempre a pena nos colocarmos como defensores da fé – como sempre fizeram os santos. E constantemente nos lembremos da promessa do Senhor: “Quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus” (Mt 10, 32).

Que a Virgem Santíssima, Mãe da Igreja, nos ensine a sermos defensores fiéis e corajosos!

Rafael Aguilar Libório
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator

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