Dependência Química e Família: um processo de Sobriedade e Santidade

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Pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) nos anos de 2012/2013, sendo a mais especifica e ampla nesta temática, coletando dados do Brasil todo e ampliando para características das famílias dos dependentes, aponta que ao menos 28 milhões de pessoas têm algum familiar que é dependente químico e que, aproximadamente, haja 8 milhões de pessoas dependentes de alguma substância química. Segundo o coordenador da pesquisa, para cada 1 pessoa dependente, existem 4 outras pessoas afetadas pela dependência. Importante considerar que esses números são muito maiores, visto que a pesquisa foi realizada em 2013 e que traz números aproximados. A Organização Mundial de Saúde (OMS), considera que, no mundo todo, 35% das pessoas possuem alguma dependência.

É uma realidade cruel e tão próxima de nós, pare e pense, com certeza você conhece alguém ou tem em sua família alguém que possui alguma dependência ou que tem algum familiar dependente.



A Dependência Química é um conjunto de fenômenos que envolvem o comportamento, a capacidade de aprendizado e a fisiologia corporal; consequentes ao consumo repetido de uma substância psicoativa, se associado à vontade de usar a substância, juntamente com a dificuldade de controlar a sua utilização, que persiste apesar de suas consequências serem bastante danosas. A dependência química é multicausal, ou seja, causas variadas que resultam na dependência, relacionadas a aspectos ambientais, biológicos, psicológicos e sociais. Ela ocorre numa interação entre o agente (a substância), o sujeito (o usuário) e o meio (família, contexto social e comunitário); sendo um transtorno em que predomina a diversidade, pois afeta a pessoa de várias formas, por diferentes motivos e em diferentes circunstâncias.

Os sintomas, tanto das drogas licitas como ilícitas, são parecidos, tais como: necessidade incontrolável de bebida alcoólica ou do uso da substância ilícita, perda de controle, dependência física: (náuseas, tremores, suor e ansiedade após parar de beber ou de usar a droga ilícita) e intolerância (necessidade de quantidade cada vez maior dessas substâncias).

Em relação a aspectos constitutivos do psicoemocional, o adicto é um ser que vivencia constantes assaltos de angústias internas, advindas de falhas nas primeiras relações, ou seja, na infância, sensações de desamparo e desprazer que o levam a precisar de algo concreto para lidar com tais sensações. As substâncias psicoativas (álcool, entre outras) fazem com que o dependente substitua esta sensação (desprazer) que o atormenta por um prazer compulsivo e repetitivo vindo do consumo. O desamparo sentido internamente é tão aterrorizante que necessita ser anestesiado para ser tolerado. Assim, as principais características dos dependentes são: baixa tolerância à frustração, baixa autoestima, compulsividade, indisciplina, desorganização, dependência afetiva, imaturidade e regressão, agressividade, sedução, dissimulação e mentira, imediatismo, anti-heroísmo, inversão de valores, negação do estado de dependência, inconsciência dos perigos e consequências, pessimismo e comportamento chantagista e ameaçador.

Em relação às famílias dos dependentes químicos, estas vivenciam um estado de sofrimento significativo, no qual não há objetivamente como controlar o vício do membro, podendo apenas dificultar ou adotar medidas importantes para combatê-lo, porém, ficam à mercê do desejo do outro. No entanto, nota-se e é comum observar que a família passa a viver uma co-dependência em relação à dependência química do membro familiar , ou seja, (a família – repetição) ela se organiza de forma psíquica, emocional, comportamental e relacional da mesma maneira que o dependente. Autores descrevem as famílias de dependentes como: psicotóxicas, isto é, recorrem a remédios, álcool, excesso de comida, entre outros, para lidar com as angústias, instauradas no seio familiar. Essas características podem ser observadas nos demais membros. Há um estado emocional que faz com que a família, ao mesmo tempo que sofra com o dependente, mantenha o vício dele, ou seja, mantenha, o próprio sofrimento; vivendo um ciclo constante de expectativa e frustração, ou seja, de prazer e desprazer.

Grupo Sempre Fiel

Na Comunidade Católica Pantokrator, temos o Grupo Sempre Fiel, iniciado a partir da necessidade surgida no Projeto Juventude Fiel, pois alguns jovens, que vivenciavam a Dependência Química, frequentavam o Grupo de Jovens naquele momento. Com o aumento de casos percebidos pela equipe, tanto no grupo quanto nos retiros ministrados pela Comunidade, através do Projeto Juventude Fiel, Nilton Junior, teve a inspiração de iniciar um Grupo de Oração e Apoio para Dependentes Químicos. O grupo iniciou no mês de julho de 2008, com um participante: Rodrigo Silva e com convites a outros jovens que no caso, membros da comunidade, sabiam da condição de dependência química desses jovens.

O grupo começou apenas com os atendimentos aos adictos na Casa Sede da Comunidade. Buscou-se também apoios e suportes para obter formação sobre a temática e conhecimento do perfil dos dependentes na Comunidade Esperança e Vida e na Comunidade Terapêutica Padre Haroldo.

A partir das formações recebidas destes parceiros, percebeu-se a necessidade de inserir a família no processo de cura do adicto, resultando num novo formato e ampliação das ações e compreensão do fenômeno da dependência química.
O Grupo Sempre Fiel possui duas vertentes fundamentais no trabalho com as famílias e com os Dependentes Químicos: Evangelização e Apoio.

Evangelização: Este é o principal a ser oferecido: o encontro pessoal com Jesus Cristo. Somente a partir do encontro pessoal com Cristo, podemos ser uma nova criatura. Assim, seja,)nos casos dos dependentes químicos,  seja qualquer pecador, que todos somos, o nosso remédio é a Conversão de Vida através deste encontro pessoal. Só Cristo pode dar ao Dependente Químico força para lutar e possibilidade de um reordenar de seus desejos e vontades, visando à Sobriedade. O Encontro com Cristo é a proposta que temos no processo de cura e de sobriedade.

Apoio: Dentro do processo de cura e busca pela sobriedade se faz necessário um apoio que facilite, oriente, e ajude neste processo que é para a vida toda. Sozinho ninguém consegue nada e na luta contra esta doença se faz necessário este apoio e suporte.

O Grupo Sempre Fiel ocorre na Casa Sede da Comunidade, na cidade de Campinas, às segundas-feiras, das 20hs às 21h30.

O objetivo do Grupo é de possibilitar, ao Adicto e à sua família, um lugar de apoio, orientação, cura e conversão da dependência química numa vida nova através do encontro pessoal com Cristo. Não existe sobriedade sem santidade. Não tem outro meio nesta luta, a não ser a busca por um renovar total de nossa vida e este renovar é a busca pela santidade. Existe uma relação entre sobriedade e santidade, pois é a santidade que sustenta a sobriedade.
Não é a vontade e as forças humanas o principal motivador e produtor de mudanças na vida do adicto, mas, antes, é o amor de Deus que invade o coração do adicto, preenchendo os vazios antes preenchidos pelo uso abusivo das inúmeras substâncias. Não se engane, esta é a verdade: “Só Deus preenche nossos vazios! Nada e nem ninguém, poderá fazê-lo. Então, para alcançar e permanecer na sobriedade se faz necessário a busca e a vivência da santidade, que é a ordenação de toda nossa vida para Deus, não apenas, uma mudança de comportamento, mas, antes, uma mudança de coração e vida, uma mudança interior.

Se você está vivendo a dependência química ou conhece alguém que esteja nesta realidade, o Grupo Sempre Fiel é o lugar propício para o início de um processo de recuperação, cura, e manutenção da sobriedade. O primeiro passo para a busca pela santidade, pois o encontro com Cristo e a sua decisão são o início de tudo.

Quero terminar com a frase de Dom Bosco: “Não disse que seria fácil, mas, que valeria a pena!”

Júlio Della Torre
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator 

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